
Marília registrou 187 acidentes envolvendo escorpiões entre janeiro e 15 de agosto de 2026, segundo dados da Vigilância Epidemiológica, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. O número representa aumento de 10,65% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 169 ocorrências.
A média mensal também subiu. Nos primeiros sete meses e meio de 2025, foram registrados cerca de 22 casos por mês. Neste ano, a média chega a aproximadamente 24 ocorrências mensais.
A evolução dos últimos anos mostra que o problema vem ganhando dimensão no município. Em 2020, Marília contabilizou 107 acidentes. O número passou para 145 em 2021, 176 em 2022, 208 em 2023 e 183 em 2024. No ano passado, foram 301 ocorrências, o maior número da série apresentada.
Na comparação entre 2020 e 2025, o crescimento chegou a 181,31%, com 194 acidentes a mais registrados ao longo do período.

Mãos e pés estão entre as áreas mais atingidas
Levantamento do Nies (Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde), da Secretaria de Estado da Saúde, mostra que as mãos estão entre as regiões do corpo mais atingidas pelas picadas. Elas representam 28,57% das notificações analisadas.
Na sequência aparecem os pés, com 20,78%, e os dedos das mãos, com 19,48%. Os números reforçam a importância de cuidados durante o manuseio de materiais, limpeza de quintais e movimentação de objetos que podem servir de abrigo aos animais.
O aumento das ocorrências está relacionado, entre outros fatores, às condições ambientais. Períodos de calor e umidade favorecem a atividade dos escorpiões, que podem buscar abrigo em residências, galerias, redes de esgoto, entulhos e locais com acúmulo de lixo.
A presença de baratas também contribui para a permanência desses animais em áreas urbanas, já que elas são uma de suas principais fontes de alimento.
Em caso de picada de escorpião, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. A atenção deve ser redobrada em crianças e idosos, que podem apresentar maior risco de complicações.
Os sintomas mais comuns são dor intensa e imediata, vermelhidão, inchaço e sensação de queimação. Em situações mais graves podem ocorrer náuseas, vômitos, sudorese, agitação, alterações da pressão arterial e dificuldade para respirar.
Outros animais peçonhentos
Além dos escorpiões, Marília registrou neste ano quatro acidentes com serpentes, 31 envolvendo aranhas e 44 causados por outros animais peçonhentos.
Prevenção começa dentro de casa
A principal forma de evitar acidentes é eliminar possíveis esconderijos. Quintais e terrenos devem permanecer limpos e sem acúmulo de entulho, telhas, tijolos, madeiras, folhas secas e restos de construção.
Dentro das residências, a recomendação é vedar ralos, frestas, portas e janelas, além de utilizar telas nas aberturas quando necessário. Camas e berços devem ficar afastados das paredes.
Também é importante sacudir roupas e calçados antes de utilizá-los, principalmente aqueles que ficaram no chão ou em locais pouco movimentados.
Ao trabalhar em jardins, mexer com lenha ou retirar materiais acumulados, o uso de luvas e calçados fechados reduz o risco de contato direto com os animais.
Os cuidados também devem alcançar os animais domésticos. Locais onde cães e gatos dormem precisam ser mantidos limpos e, sempre que possível, elevados e afastados de áreas que possam servir de esconderijo.