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“Não é um calendário eleitoral, é um calendário de prioridade da população”

Em entrevista exclusiva ao jornal A Cidade, prefeito Vinicius Camarinha avalia o primeiro ano de gestão, detalha a recuperação financeira de Marília e projeta investimentos recordes em urbanismo

Por: Redação
22/12/2025 às 08h59 Atualizada em 02/01/2026 às 12h38
“Não é um calendário eleitoral, é um calendário de prioridade da população”
Durante entrevista exclusiva ao jornal A Cidade, Vinicius Camarinha reafirmou que seu compromisso é com os quatro anos de gestão municipal - Foto: Cristiano Gonçalves/jornal A Cidade

Após renunciar ao mandato de deputado estadual para assumir o desafio de gerir Marília pela segunda vez, Vinicius Camarinha completa o primeiro ano de governo com foco total na reestruturação administrativa. Em um cenário marcado por uma dívida herdada que alcança os R$ 2 bilhões, o prefeito priorizou o choque de gestão na saúde e a revisão de contratos polêmicos, como o do Daem e dos radares. Nesta entrevista exclusiva ao jornal A Cidade, Camarinha afasta as discussões sobre as eleições de 2026 e a crise no PSDB, reafirmando que seu compromisso atual é retirar a cidade do abandono. Com obras emblemáticas como o AME e novos parques temáticos no horizonte, ele detalha como pretende transformar o urbanismo local e elevar Marília ao status de Estância Turística.

A Cidade - Prefeito, as eleições de 2026 estão se aproximando e teremos as eleições gerais. O senhor foi o quarto deputado estadual mais bem votado pelo PSDB. O seu partido hoje vive uma crise de identidade e de lideranças. Teria alguma possibilidade de o senhor vir para uma majoritária, como vice-governador ou senador, diante deste cenário?

Vinicius Camarinha: A minha meta agora é fazer um bom governo, trabalhar os quatro anos aqui para a nossa cidade de Marília. 100% isso. Então, não estou preocupado com a questão partidária. Não estou preocupado com eleição agora, porque o PSDB não vai participar em nada. Então, nós vamos cumprir os quatro anos do mandato e entregar muita coisa boa para a cidade, porque a cidade precisa.

A gente ficou oito anos no marasmo, Marília sendo depredada, esquecida, abandonada, e a gente tem muita coisa para fazer.

 A Cidade - O PSDB já chegou a sondar o senhor para alguma majoritária? Como está essa articulação para 2026?

Vinicius Camarinha: Eu tenho me dedicado 100% à gestão do município. Então, não houve sondagem do partido e, também, não procurei. A ideia é trabalhar pela cidade 100%.

A Cidade - O senhor arrisca dizer um nome para o Estado pelo PSDB? Acha que a legenda está acanhada neste momento?

Vinicius Camarinha: O que eu tenho visto é pelas pesquisas. Tudo muito incerto ainda. A hora que chegar o momento da eleição, a gente ajuda a escolher a melhor possibilidade para o Estado e para Marília. Mas reiterando que o meu foco é Marília, não sou candidato a nada. Sou candidato a ser um bom prefeito.

A Cidade - Voltando ao primeiro ano do seu segundo mandato: qual foi o maior desafio enfrentado?

Vinicius Camarinha: A dívida e a precariedade do serviço público. Somando tudo, chega em quase R$ 2 bilhões. É um orçamento inteiro. Mais fornecedor, mais folha de pagamento... situação muito ruim mesmo.

A Cidade - E nos serviços públicos, quais estavam mais degradados?

Vinicius Camarinha: Saúde. A saúde e a qualidade da alimentação na Educação.

A Cidade - No segundo ano, já foi identificado o próximo desafio? Qual será o foco da atuação?

Vinicius Camarinha: Fizemos muito na saúde no primeiro ano. Temos 18 obras na área, 11 já entregues. Tem o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) vindo para cá, que é um mini-hospital; a Policlínica do Governo Federal (investimento de R$ 33 milhões); o CAPS Saúde Mental e a UBS Parque das Nações. O foco foi a recuperação da estrutura.

A Cidade - O AME pode ser considerado a maior conquista deste primeiro ano?

Vinicius Camarinha: Ah, certamente. Uma obra de R$ 106 milhões que estava “guardada”. O ex-governador Márcio França já havia autorizado, mas o prefeito passado não doou a área. Ficamos oito anos com o povo sofrendo por incompetência ou omissão. Uma vergonha. Além disso, recuperamos a merenda e voltamos a ter cultura e lazer, como o Natal Iluminado e o aniversário da cidade.

 A Cidade - Em poucos meses, o senhor realizou ações como o mutirão de saúde e o fim do radar. Também houve o novo acordo do Daem. O senhor já se dá por satisfeito?

Vinicius Camarinha: Foi um ano muito bom. Foi um ano que, apesar dos pesares, teve muito resultado. O radar foi um deles, ninguém acreditava, porque era um contrato estranho. A venda do Daem também foi muito mal feita, muito mal feita. Venderam a preço de banana, então a gente conseguiu recuperar. A gente colocou 50 milhões a mais. E trouxemos os pagamentos que eram de oito anos para três. Isso representa que, no total, eles venderam por R$ 160 milhões, e nós trouxemos para um contrato de R$ 220 milhões, praticamente. Então, antecipamos, mais 50 milhões, a gente pôs quase 60 milhões de reais a mais. E vai entrar esse dinheiro nos três anos. Porque se você diluir muito no tempo, o dinheiro passa a não ter valor.

A Cidade - E isso já te dá um capital político para a reeleição?

Vinicius Camarinha: Eu estou zero preocupado com a reeleição. Cheguei numa fase da minha vida que o povo me deu 7 mandatos. Eu vim pra cá pra fazer um trabalho de excelência para a população. Tive que renunciar a um mandato de deputado estadual, porque eu sabia que com a história que a gente tinha, com a experiência, com as relações que a gente construiu, a gente podia fazer mais pela cidade. E eu estou focado em fazer, em entregar.

Se lá na frente a população olhar, gostar do nosso trabalho, aí a gente vai avaliar. Mas não avalio como reeleição. Até porque se eu fosse avaliar como reeleição, as pessoas falariam

‘Você está fazendo tudo no primeiro ano, tem que deixar para os últimos anos’. Então, o nosso calendário não é um calendário eleitoral. É um calendário de prioridade da população. O nosso próximo ano será fazer parque, praça e a revitalização da cidade. Urbanização. Marília ficou muito tempo sem áreas de lazer e praças. A cidade não construiu isso, como a Europa fez muito.

A Europa se deu no entorno de praças, parques e grandes avenidas. Então, a Represa Cascata vai ser uma represa linda com área de lazer. Teremos o Parque da Criança, que ficará no Jardim Tropical, nas imediações do posto do Celso e o Colégio Criativo, uma área gigante. A gente vai fazer o Parque da Criança no entorno, com o museu. O Memorial da Cidade Marília. Com o avião da TAM dentro. A TAM já doou o avião.

As coisas do Bradesco, a história da cidade. A gente vai fazer a ciclovia, marginal da ferrovia, com o Parque Limiar. A gente vai fazer o Parque do Povo na Zona Sul, no Riacho Doce. Vai ser o maior parque popular do Interior. Desta forma, dá para Marília pleitear o título de Estância Turística. E trazer turismo, trazer gente para visitar aqui a cidade. O dinossauro atrai muita gente. Vamos fazer os parques nos bairros, vamos revitalizar as praças que estão super feias: Santo Antônio, São Miguel, praças que eu tenho dito, que são emblemáticas.

Vamos revitalizar o prédio da Prefeitura de Marília, vamos fazer o centro administrativo, unindo os aluguéis todos em um prédio só, para ganhar economia e reduzir despesas.

Vamos fazer um centro de convenções, pois Marília não têm um centro de convenções. Este centro será junto com o centro administrativo. Estou muito empolgado com o futuro.

 A Cidade - O senhor mantém o seu secretariado ou pretende fazer mudanças para o próximo ano?

Vinicius Camarinha: Formamos o melhor time possível, sem conchavos. Tivemos liberdade para escolher as pessoas. É natural que alguém saia por compromisso particular ou falta de adequação, mas seguimos focados na eficiência para reduzir despesas e entregar o centro administrativo e de convenções que a cidade tanto precisa.

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