Cidades Má conservação
Somente 22 km: ciclofaixas desconectadas e mal sinalizadas preocupam ciclistas em Marília
Apenas 0,55% das vias têm sinalização cicloviária, bem abaixo da média nacional, deixando ciclistas em risco
21/09/2025 14h00 Atualizada há 4 meses
Por: Redação
Avenida com sinalização apagada dificulta a circulação de ciclistas e aumenta os riscos de acidentes

Marília enfrenta sérios desafios na mobilidade cicloviária. O município possui apenas 22 km de ciclofaixas, distribuídos em diferentes regiões, e grande parte delas não é conectada entre si. Na zona Norte, a avenida Benedito Alves Delfino tem seis quilômetros, e a avenida Luzia dos Santos Alves, 1,3 km. Na região Leste, a avenida das Esmeraldas possui 7,8 km, enquanto a avenida Maria Cecília Alves, no bairro Cascata, e a Alameda Joaquim Cavina somam mais 6,8 km.

Dados do IBGE mostram que apenas 0,55% das vias de Marília têm sinalização cicloviária, muito abaixo da média nacional de 1,9% e distante de cidades como Florianópolis (13,04%) e Fortaleza (7,17%), referências no tema.

A equipe de reportagem do jornal A Cidade percorreu boa parte das ciclofaixas e constatou que, na maioria das ruas, a sinalização está apagada e o asfalto apresenta deformidades.

Falta de interligação e manutenção nas ciclofaixas obriga ciclistas a dividir espaço com veículo

Todas as ciclofaixas estão localizadas próximas ao canteiro central das vias, o que gera reclamações de ciclistas que preferem não pedalar nesses trechos por medo. Muitos relataram que se sentiriam mais seguros se as demarcações fossem feitas rente às calçadas.

Em alguns trechos, a sinalização é confusa. Na Rua Paula Fabiana Tudela, esquina com a Alameda Joaquim Cavina, os ciclistas são obrigados a pedalar na contramão, pois a sinalização direciona a rota para o canteiro central da via.

Na Rua Paula Fabiana Tudela, a sinalização termina no canteiro central, obrigando ciclistas a pedalar na contramão

Ciclistas que utilizam as vias reclamam da falta de manutenção e fiscalização. Muitos veículos não respeitam a demarcação, e trechos com pouca iluminação, buracos, mato e areia são comuns nos percursos, aumentando os riscos para quem depende da bicicleta.

José Carlos, que utiliza a ciclofaixa na zona norte, relata dificuldades diárias. “No trecho da avenida Benedito Alves Delfino somos obrigados a dividir espaço com ônibus, caminhões, carros e motos, o que aumenta muito o risco de acidentes”, denuncia.

Morador da zona Oeste, Murilo dos Santos critica a concentração das ciclovias na região das Esmeraldas e sugere aproveitar a linha férrea como rota cicloviária, o que poderia melhorar a segurança e facilitar o deslocamento diário.