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Locação de imóveis comerciais passa por realinhamento na nova realidade do mercado em Marília
Nova dinâmica do consumo - com compras online - está forçando proprietários a estudar novos valores com imobiliárias
27/08/2025 17h12 Atualizada há 5 meses
Por: Redação
Contratos de imóveis comerciais precisam ter valores recalculados

Marília tem observado um crescente número de imóveis, salas e lojas comerciais fechadas, com placas de "aluga-se" ou "vende-se", especialmente na região central. Esse cenário de acúmulo de pontos comerciais desocupados se intensificou significativamente a partir do início da pandemia de covid-19.

Diante dessa situação, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Marília aconselha os proprietários a reconsiderarem os valores de aluguel. “É uma outra realidade, e isso precisa ser ponderado na hora da definição dos contratos. Quem alugava um imóvel no centro por R$ 5 mil no passado, agora precisará repensar e adequar ao novo preço do mercado”, ponderou o gerente regional do Creci, Hederaldo Benetti.

A desvalorização dos aluguéis comerciais é atribuída, em grande parte, à concorrência direta com o e-commerce e as vendas pela internet. Os hábitos de consumo da nova geração se diferenciam dos consumidores mais tradicionais. “Um adulto hoje ainda vai até uma loja calçar um tênis antes de comprá-lo. Agora o jovem e o adolescente já compraram esse mesmo tênis pela internet, só escolhendo as cores e o local de entrega", analisou Benetti.

O comércio da rua São Luiz é o que mais sofre com esta nova realidade dos contratos dos aluguéis comerciais. Contudo, existem outras áreas onde as portas seguem fechadas e as salas disponíveis para locação. Dados de uma recente pesquisa apresentada na semana passada pelo Sebrae-SP mostram que 7 milhões de empresas estão endividadas no Brasil e 77% das famílias brasileiras estão convivendo com dívidas. Da mesma forma, o cenário de endividamento se agravou a partir da pandemia de covid-19, quando medidas restritivas e de isolamento foram adotadas. Isso afetou as relações comerciais e o emprego.

A situação de Marília reflete um cenário mais amplo observado em todo o Estado de São Paulo. De acordo com dados do mercado imobiliário, diversas cidades do Interior e até mesmo a capital paulista enfrentam desafios semelhantes no setor de locação comercial. A ascensão do e-commerce, a mudança no comportamento do consumidor e a expansão de modelos de negócio que priorizam o trabalho remoto ou espaços menores para atendimento estão reconfigurando o valor dos imóveis comerciais. Esse realinhamento de preços é visto como uma adaptação necessária para manter a atratividade dos pontos físicos em um mercado cada vez mais digitalizado.

Home office em alta

Essa nova realidade é um desdobramento direto da pandemia de covid-19, que forçou a adoção generalizada do trabalho remoto no Brasil e no mundo. O ‘novo normal’ consolidou o home office, antes visto como uma exceção, em um modelo de trabalho permanente ou híbrido para milhões de profissionais. Com o escritório deixando de ser um ponto central na rotina diária, a necessidade de espaços comerciais robustos e de localização privilegiada diminuiu drasticamente, redirecionando o foco de empresas e trabalhadores para a flexibilidade e a redução de custos operacionais.

Muitas das salas vagas em vários quarteirões que formam o centro - ou o centro expandido - de Marília eram ocupadas por escritórios de prestadores de serviços que, mesmo após o fim do isolamento, se mantiveram em home office.