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Locação de imóveis comerciais passa por realinhamento na nova realidade do mercado em Marília

Nova dinâmica do consumo - com compras online - está forçando proprietários a estudar novos valores com imobiliárias

Por: Redação
27/08/2025 às 17h12 Atualizada em 01/09/2025 às 13h06
Locação de imóveis comerciais passa por realinhamento na nova realidade do mercado em Marília
Contratos de imóveis comerciais precisam ter valores recalculados

Marília tem observado um crescente número de imóveis, salas e lojas comerciais fechadas, com placas de "aluga-se" ou "vende-se", especialmente na região central. Esse cenário de acúmulo de pontos comerciais desocupados se intensificou significativamente a partir do início da pandemia de covid-19.

Diante dessa situação, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Marília aconselha os proprietários a reconsiderarem os valores de aluguel. “É uma outra realidade, e isso precisa ser ponderado na hora da definição dos contratos. Quem alugava um imóvel no centro por R$ 5 mil no passado, agora precisará repensar e adequar ao novo preço do mercado”, ponderou o gerente regional do Creci, Hederaldo Benetti.

A desvalorização dos aluguéis comerciais é atribuída, em grande parte, à concorrência direta com o e-commerce e as vendas pela internet. Os hábitos de consumo da nova geração se diferenciam dos consumidores mais tradicionais. “Um adulto hoje ainda vai até uma loja calçar um tênis antes de comprá-lo. Agora o jovem e o adolescente já compraram esse mesmo tênis pela internet, só escolhendo as cores e o local de entrega", analisou Benetti.

O comércio da rua São Luiz é o que mais sofre com esta nova realidade dos contratos dos aluguéis comerciais. Contudo, existem outras áreas onde as portas seguem fechadas e as salas disponíveis para locação. Dados de uma recente pesquisa apresentada na semana passada pelo Sebrae-SP mostram que 7 milhões de empresas estão endividadas no Brasil e 77% das famílias brasileiras estão convivendo com dívidas. Da mesma forma, o cenário de endividamento se agravou a partir da pandemia de covid-19, quando medidas restritivas e de isolamento foram adotadas. Isso afetou as relações comerciais e o emprego.

A situação de Marília reflete um cenário mais amplo observado em todo o Estado de São Paulo. De acordo com dados do mercado imobiliário, diversas cidades do Interior e até mesmo a capital paulista enfrentam desafios semelhantes no setor de locação comercial. A ascensão do e-commerce, a mudança no comportamento do consumidor e a expansão de modelos de negócio que priorizam o trabalho remoto ou espaços menores para atendimento estão reconfigurando o valor dos imóveis comerciais. Esse realinhamento de preços é visto como uma adaptação necessária para manter a atratividade dos pontos físicos em um mercado cada vez mais digitalizado.

Home office em alta

Essa nova realidade é um desdobramento direto da pandemia de covid-19, que forçou a adoção generalizada do trabalho remoto no Brasil e no mundo. O ‘novo normal’ consolidou o home office, antes visto como uma exceção, em um modelo de trabalho permanente ou híbrido para milhões de profissionais. Com o escritório deixando de ser um ponto central na rotina diária, a necessidade de espaços comerciais robustos e de localização privilegiada diminuiu drasticamente, redirecionando o foco de empresas e trabalhadores para a flexibilidade e a redução de custos operacionais.

Muitas das salas vagas em vários quarteirões que formam o centro - ou o centro expandido - de Marília eram ocupadas por escritórios de prestadores de serviços que, mesmo após o fim do isolamento, se mantiveram em home office.

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