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Antes do tarifaço americano, exportações de Marília atingem quase US$ 3 milhões e enfrentam desafios
Parceria com os Estados Unidos, principal destino, já mostra queda de 50,5% no ano
11/07/2025 21h02 Atualizada há 6 meses
Por: Redação
Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

A relação comercial de Marília com o Exterior, especialmente com os Estados Unidos, está sob os holofotes diante do iminente tarifaço de 50% anunciado pelo governo norte-americano para agosto. No período de janeiro a junho de 2025, as exportações da cidade atingiram US$ 2,68 milhões para os EUA, consolidando o país como o principal destino dos produtos marilienses. Contudo, essa cifra já reflete uma queda significativa de 50,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando uma retração preocupante antes mesmo da efetivação da nova tarifa.

Os Estados Unidos representam uma fatia considerável das exportações de Marília, com 12,4% de participação no total de vendas externas da cidade no primeiro semestre de 2025. Em 2024, o valor FOB das exportações para o país já havia sido de US$ 9,31 milhões, com uma variação negativa de 42,7%. Valor FOB significa "Free On Board" (Livre a Bordo) e representa o valor da mercadoria no porto ou local de embarque, incluindo todos os custos até o momento em que a mercadoria é colocada a bordo do navio (ou outro meio de transporte), mas sem incluir os custos de frete e seguro internacionais. 

 Alerta para Marília

Esse cenário de declínio pré-tarifa acende um alerta vermelho para os setores produtivos locais, que dependem fortemente do mercado americano. No balanço geral, Marília registrou exportações totais de US$ 21,56 milhões no primeiro semestre de 2025, com uma variação negativa de 6,9% em relação ao mesmo período de 2024. As importações, por sua vez, somaram US$ 25,19 milhões, um aumento de 8,6%, resultando em um déficit comercial de US$ 3,63 milhões para a cidade. Essa balança desfavorável, combinada com a redução das exportações para o seu principal parceiro, intensifica a preocupação com os impactos da medida americana.

Itens exportados

Os produtos de confeitaria sem cacau (incluindo chocolate branco) lideram a pauta de exportações de Marília, representando 26% do total, seguidos por produtos de padaria e pastelaria (17%), e chocolate e outras preparações alimentícias (15%). Outros itens relevantes incluem artigos e aparelhos ortopédicos (8,9%) e madeiras serradas (6,7%). A diversidade da pauta exportadora, embora expressiva, pode ser igualmente afetada pelo aumento tarifário.

Tarifaço para Marília, também

O tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump para agosto representa um obstáculo substancial para as exportações brasileiras, e Marília, com sua forte dependência do mercado americano em setores-chave, pode sentir o impacto de forma acentuada. A medida coloca em xeque a competitividade dos produtos locais e levanta questionamentos sobre o futuro das relações comerciais com um dos maiores parceiros do Brasil.

O cenário exige atenção redobrada das autoridades e do setor produtivo de Marília para mitigar os possíveis efeitos negativos. A busca por novos mercados e a diversificação da pauta de exportações podem ser estratégias cruciais para contornar os desafios impostos pela nova política tarifária dos Estados Unidos e garantir a sustentabilidade das operações comerciais da cidade.