Com a proximidade do fim do prazo de intervenção na RIC Ambiental, concessionária dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto de Marília, a Prefeitura Municipal mantém o silêncio sobre os dados preliminares do processo. O governo municipal, através do prefeito recém-empossado Vinicius Camarinha (PSDB), decretou a intervenção de 120 dias na empresa em 26 de fevereiro de 2025, e, mesmo com a medida em curso, moradores de diversos bairros da cidade ainda relatam problemas com a falta de abastecimento de água.
Em resposta às demandas encaminhadas pela reportagem do Jornal A Cidade, a Prefeitura de Marília, através da diretoria de comunicação social, esclareceu que as informações detalhadas sobre a intervenção na RIC Ambiental serão divulgadas “de forma ampla no momento oportuno”, o que ocorrerá somente após a finalização do relatório completo do processo. Nesta segunda-feira, dia 26 de maio, completam-se 90 dias de intervenção e, pelo decreto, ficariam faltando apenas 30 dias - ou seja - um mês para a conclusão dos trabalhos.
De acordo com a administração municipal, neste primeiro momento, as informações disponíveis são limitadas, uma vez que o processo de intervenção ainda está em andamento. A Prefeitura reforçou que o trabalho continua sendo realizado de maneira transparente, com o objetivo de buscar soluções para as questões em aberto e garantir o melhor serviço para a população mariliense.
Novas atualizações e os resultados da intervenção serão compartilhados assim que o relatório for concluído e houver uma definição por parte do Executivo Municipal sobre a divulgação dos dados. A expectativa é que, com o término do prazo da intervenção, em cerca de 30 dias, a situação do abastecimento de água na cidade possa ser normalizada e os resultados da gestão provisória sejam apresentados à comunidade.
Irregularidades
No dia 26 de fevereiro de 2025, uma quarta-feira, o prefeito de Marília, Vinicius Camarinha (PSDB), realizou a intervenção na concessionária de serviços de água e esgoto. Conforme o prefeito destacou na coletiva, em que realizou ao lado do presidente da Câmara Municipal, vereador Danilo da Saúde (PSDB), mediante a sindicância instaurada em janeiro para investigar a concessão do Departamento de Água e Esgoto de Marília (DAEM), foram observadas provas de falhas na concessão, tais como: preço da outorga para a concessão por preço abaixo do valor de mercado e de forma parcelada; não pagamento da outorga durante dois meses sem a devida previsão legal; aumento ilegal da tarifa de água e esgoto; aumento nas contas de água da população.
À época, para o prefeito Vinicius Camarinha, o poder público não poderia ficar inerte. “Estamos atuando em defesa do interesse público. Fazer intervenção não é uma atividade rotineira, mas é prevista na Lei Federal que trata das concessões. Vamos abrir a caixa-preta da concessão do Daem”, explicou. Entretanto, mesmo após a intervenção, diversos bairros da cidade registraram vazamentos de água nas redes de abastecimento e também falhas no fornecimento, com as torneiras secas.