O fim da escala de trabalho 6x1 começa a mobilizar sindicatos e empresas de Marília e região. Promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, a Emenda Constitucional 141/2026 prevê dois dias de descanso semanal e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem corte salarial. A mudança exige adequações nas empresas e abre discussões sobre custos, contratações e organização dos horários. Os impactos dessa mudança foram analisados em Marília por dois dos maiores sindicatos da cidade, o dos Metalúrgicos e o dos Quími- cos.
Para Maurílio Pereira Alvim, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico, Químicos, Farmacêuticos e de Fabricação do Álcool de Marília e Região, a implementação dependerá da realidade de cada empresa. “Falar que a gente já tem uma carga horária pronta para todas as empresas é praticamente impossível”, explicou. De acordo com ele, a entidade sindical deverá negociar individualmente as escalas. Uma usina de Ibirarema, por exemplo, já tem reunião prevista para discutir a adaptação.
“Onda de demissões é pouco provável”, avalia
Alvim acredita que a redução poderá exigir novas contratações, embora ainda não seja possível estimar quantas vagas serão abertas
Ele considera pouco provável uma onda de demissões e recorda que a redução anterior, de 48 para 44 horas semanais, não provocou o resultado negativo anunciado por críticos. Por outro lado, estima que os custos empresariais possam aumentar pelo menos 10%, conforme estudos aos quais se referiu. “É uma coisa muito nova ainda e que a gente ainda não tem isso discutido”, avaliou.
Enquanto isso, o sindicalista Irton Siqueira Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Marília e região, prevê impacto bem limitado em sua categoria. Isso porque os trabalhadores da base já cumprem, em geral, uma jornada de segunda a sexta-feira, com compensação diária das quatro horas que seriam trabalhadas aos sábados. Apenas uma indústria da base territorial precisará se adequar, conforme o levanta-
mento do sindicato. “A aceitação da nova jornada está grande e a- creditamos que não impactará negativamente na base, aliás, a tendência é só aumentar a contratação”, afirmou Torres.
Alta produtividade em experiência no passado
O dirigente também recordou uma experiência local de redução da jornada em uma indústria metalúrgica. Na ocasião, a empresa adotou 10 sextas-feiras de folga, compensadas posteriormente no abatimento das férias. Segundo Torres, a medida elevou a produtividade durante os dias trabalhados. Conforme explicou, a discus- são sobre a redução da jornada 6x1 é antiga e não surgiu apenas por causa do calendário eleitoral. A adaptação, porém, dependerá das condições de cada setor e do cumprimento das novas regras.
Saiba como será a transição para a nova jornada
A Emenda Constitucional 141/2026 estabelece a substituição da escala 6x1 pelo modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso, além da redução gradual da jornada semanal máxima, sem diminuição salarial. De acordo com as explicações de Irton Siqueira Torres, do Sindicato dos Metalúrgicos de Marília e Região, serão, basicamente, duas etapas.
“A primeira etapa: após 60 dias da promulgação, a jornada máxima passa de 44 para 42 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado. E a segunda etapa, após mais 12 meses, a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais”, detalhou.
A mudança exige que as empresas reorganizem escalas e horários para manter as atividades sem ultrapassar os limites previstos. Os sindicatos podem participar das negociações para adequar as condições de trabalho às características de cada setor. Em Marília e região, o Sindicato dos Metalúrgicos, por exemplo, informou que a maioria dos trabalhadores de sua base já conta com dois dias de descanso. No setor químico, plástico, farmacêutico e sucroalcooleiro, as adaptações ainda devem ser discutidas empresa por empresa.
A expectativa dos representantes sindicais é que a redução possa ampliar contratações, embora os efeitos sobre empregos e custos ainda dependam da implementação.