A força eleitoral da microrregião de Marília será novamente colocada em evidência nas eleições de 2026. Formada por 14 municípios, a região reúne mais de 267 mil eleitores aptos a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
O maior eleitorado está concentrado em Marília, com 172.571 votantes, responsável por mais da metade dos eleitores da microrregião. Na sequência aparecem Garça, com 32.428 eleitores, e Pompéia, com 16.168.
Completam o levantamento Vera Cruz (7.893 eleitores), Quintana (5.220), Oriente(5.170), Echaporã (5.074), Guaimbê (4.492), Júlio Mesquita (3.697), Ocauçu (3.439), Lupércio (3.317), Álvaro de Carvalho (2.760), Alvinlândia (2.638) e Oscar Bressane (2.457).
Apesar do expressivo número de eleitores, a região enfrenta um desafio histórico: transformar essa força eleitoral em representação política no Congresso Nacional. Desde 2013, a microrregião não conta com um deputado federal eleito com base regional. Os últimos representantes foram Abelardo Camarinha e Dr. Nechar. Desde então, a região perdeu espaço na Câmara dos Deputados e a capacidade de articulação direta em Brasília.
A eleição para deputado segue o sistema proporcional, em que as cadeiras são distribuídas conforme a votação dos partidos e federações. Ou seja, não basta apenas um candidato receber muitos votos: a legenda precisa atingir o chamado quociente eleitoral, número mínimo necessário para conquistar uma vaga.
Nas eleições de 2022, o eleitorado da região demonstrou influência nas disputas proporcionais, mas parte dos votos foi direcionada a nomes de alcance estadual e nacional. Em Marília, entre os candidatos mais votados para deputado federal estavam Carla Zambelli, com 5.249 votos; Eduardo Bolsonaro, com 3.987; Ricardo Salles, com 3.945; e Guilherme Boulos, com 3.675 votos.
A distribuição dos votos demonstra um dos principais obstáculos para as candidaturas regionais: a falta de concentração do eleitorado em torno de nomes ligados diretamente aos municípios. Em 2022, dos 122.154 votos válidos registrados em Marília, apenas 15.409 foram destinados a candidatos locais, o equivalente a 12,62% do total. Mais de 106 mil votos foram direcionados a candidatos de outras regiões, conhecidos no meio político como “paraquedistas”.
A ausência de uma representação federal também tem impacto na disputa por recursos públicos. Deputados federais possuem a possibilidade de indicar investimentos por meio de emendas parlamentares, que atualmente representam cerca de R$ 40 milhões por ano por parlamentar.
Em um mandato de quatro anos, uma cadeira na Câmara dos Deputados pode significar aproximadamente R$ 160 milhões em investimentos para a região.