O número de imóveis comerciais sem funcionamento em importantes ruas do Centro de Marília chama a atenção. Um levantamento realizado pelo jornal A Cidade encontrou 83 pontos fechados em apenas três dos principais corredores comerciais da região central.
A contagem foi realizada nas ruas São Luiz, 4 de Abril e na avenida Sampaio Vidal, considerando imóveis que estavam com as portas fechadas, sem atividade comercial ou disponíveis para locação.
A maior concentração foi identificada na rua São Luiz. Ao todo, 39 estabelecimentos foram encontrados nessa situação. A via, tradicionalmente conhecida pelo comércio e pelo intenso movimento de consumidores, hoje apresenta trechos com lojas desocupadas.
Na rua 4 de Abril, foram contabilizados 19 pontos comerciais fechados. Já na avenida Sampaio Vidal, o levantamento encontrou outros 25 imóveis sem atividade. A avenida possui forte circulação de pessoas e concentra bancos, farmácias e outros serviços.
Os números não representam todo o comércio da região central, mas mostram uma realidade presente em três importantes vias e ajudam a dimensionar o desafio enfrentado pelos estabelecimentos que permanecem em funcionamento.
Acesso ao Centro
As condições para chegar ao Centro também aparecem no debate. Comerciantes apontam o estacionamento rotativo como um dos fatores que podem influenciar a decisão do consumidor. A dificuldade para encontrar onde adquirir o ticket, multas e o custo são citados entre as reclamações.
A consumidora Marcela Silva afirma que costuma aproveitar o horário de almoço para fazer compras no Centro, mas enfrentou dificuldades para utilizar a Zona Azul. “É difícil encontrar onde adquirir o ticket, são poucos locais de venda. Meu celular é antigo e não consegui baixar o aplicativo. Acabei recebendo uma notificação de R$ 25. Gosto de vir ao comércio, mas desse jeito fica ruim”, relatou.
A dificuldade para adquirir o ticket também é uma das principais reclamações dos motoristas. Os funcionários da empresa responsável pelo estacionamento não realizam mais a venda, ficando encarregados apenas da fiscalização. Já os totens instalados nas vias permitem o pagamento por Pix ou cartão, o que pode dificultar o uso para quem não dispõe de saldo ou familiaridade com a modalidade.
O motorista Carlos Roberto também relata dificuldade. Segundo ele, nem sempre possui dinheiro disponível na conta para realizar o pagamento por Pix, o que acaba criando mais um obstáculo para estacionar na região central.
Pedágios
Outro ponto levantado é o impacto dos pedágios no entorno de Marília. A cidade funciona como polo comercial para diversos municípios da região e, segundo comerciantes, o aumento do custo para chegar ao município pode ter reduzido parte do fluxo de consumidores vindos de outras cidades.
O pedágio entre Garça e Marília passou por reajuste e atualmente custa R$ 11,70 por trecho. Considerando ida e volta, o motorista desembolsa R$ 23,40 apenas com pedágio.
No trajeto entre Pompéia e Marília, o custo chega a R$ 11,90 por trecho, totalizando R$ 23,80 em uma viagem de ida e volta.
Na avaliação dos consumidores ouvidos, esses valores representam uma despesa adicional para quem se desloca até Marília para fazer compras, além dos custos com combustível e estacionamento.
Os relatos, entretanto, representam a percepção de consumidores e comerciantes e não permitem atribuir exclusivamente aos pedágios ou à Zona Azul o fechamento dos estabelecimentos. O comércio central também enfrenta outros desafios, como os preços dos aluguéis, custos operacionais e a concorrência das compras pela internet.