Os motociclistas seguem como o grupo mais vulnerável no trânsito em Marília. Dados do sistema Infosiga mostram que, das cinco mortes registradas no primeiro trimestre de 2026, todas foram de motociclistas - o equivalente a 100% dos óbitos no período.
Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, houve redução. No ano passado, sete motociclistas morreram entre janeiro e março, enquanto o total geral de mortes caiu de nove para cinco, uma queda de 44,4%.
O mês de março concentrou o maior número de acidentes no trimestre, com 106 ocorrências e três mortes. No período, foram contabilizadas 157 colisões, 48 incidentes diversos, 22 choques, 9 atropelamentos e 21 casos sem classificação.
O período da tarde, entre 12h e 18h, foi o mais crítico para acidentes fatais, com quatro registros. Já os dias mais letais foram terça-feira e quarta-feira, com dois óbitos cada.
Apesar da diminuição, o perfil das vítimas reforça o cenário de risco. A maioria dos óbitos envolve homens (80%), principalmente na faixa etária de 30 a 34 anos. Outro dado relevante é o local das ocorrências: 80% das mortes foram registradas em rodovias, com apenas um caso em vias urbanas.
RODOVIA
A rodovia do Contorno passou a concentrar grande parte do fluxo de veículos em Marília e, com o crescimento urbano dos últimos anos, deixou de ter apenas característica rodoviária para se comportar como uma “avenida” - porém, com riscos elevados. Dos 35 óbitos registrados no trânsito em 2025, 55% ocorreram em rodovias e estradas que cortam o município, sendo a maioria dos casos no Contorno. A via atravessa a zona Norte, segue pela zona Oeste e chega até a zona Sul, mas, em grande parte de sua extensão, não possui vias marginais, o que aumenta a insegurança.
O trecho mais crítico está nas proximidades da antiga Cooperativa dos Cafeicultores, entre o viaduto do Jardim Bela Vista e o viaduto do Coimbra, onde o fluxo intenso e a falta de estrutura adequada ampliam o risco de acidentes. Em 2023, foi anunciado um projeto para implantação de via marginal no local, com promessa de investimento para melhorar a fluidez do tráfego e, principalmente, aumentar a segurança de motoristas, pedestres e ciclistas. Até o momento, no entanto, o cenário ainda preocupa quem utiliza o trecho diariamente.
HISTÓRICO
O histórico de mortes no trânsito mostra uma trajetória de queda até 2020, seguida por novo aumento nos anos seguintes. Em 2015, foram registradas 43 mortes; em 2016, 25; em 2017, 39; em 2018, 30; em 2019, 24; e em 2020, o menor número da série, com 18 óbitos. A partir de então, os números voltaram a subir: foram 29 mortes em 2021, 25 em 2022, 32 em 2023, 27 em 2024 e 35 em 2025.