Cidades Mobilidade
Uso de bicicleta cresce e falta de vias exclusivas aumenta risco de acidentes
Ciclofaixas sem conexão e falta de ciclovias expõem falhas na mobilidade em Marília
19/04/2026 11h29 Atualizada há 12 horas
Por: Redação
Ciclistas dividem espaço com veículos na avenida da Saudade, na zona Oeste de Marília, diante da ausência de ciclovia

O uso da bicicleta nas ruas de Marília tem aumentado nos últimos anos, impulsionado pela alta nos preços dos combustíveis e pelos custos do transporte público. Diante desse cenário, muitos moradores passaram a adotar a bike como alternativa mais econômica para o deslocamento diário, mesmo enfrentando limitações na infraestrutura urbana.

Atualmente, o município conta com apenas 22 quilômetros de ciclofaixas distribuídos em cinco vias. Na região Norte, os trechos estão concentrados na avenida Benedito Alves Delfino, com cerca de seis quilômetros, e na avenida Luzia dos Santos Alves, com 1,3 km. Já na região Leste, a principal extensão fica na avenida das Esmeraldas, com 7,8 quilômetros - ligando o distrito de Lácio até a avenida das Roseiras - além das conexões com a avenida Maria Cecília Alves e a Alameda Joaquim Cavina, que somam mais 6,8 quilômetros.

Ciclista utiliza a pista de cooper da avenida Pedro de Toledo para evitar a via de veículos,
diante da falta de estrutura adequada para circulação segura

Apesar da presença dessas estruturas, a falta de continuidade nas ciclofaixas, aliada à ausência de sinalização, tem colocado em risco quem utiliza a bicicleta como meio de transporte em Marília. Em diversos pontos, os trajetos são interrompidos de forma repentina, obrigando ciclistas a dividir espaço com veículos em vias movimentadas.

Além da extensão reduzida, a qualidade das ciclofaixas também é alvo de críticas. Usuários apontam problemas como pintura desgastada, mato alto, rachaduras, buracos e acúmulo de areia, fatores que dificultam a circulação e aumentam o risco de acidentes.

Ciclista utiliza a ciclofaixa na avenida Luzia dos Santos Alves, na zona Norte de Marília,
um dos poucos trechos com estrutura disponível na cidade

O crescimento do número de bicicletas nas ruas também vem acompanhado de mais acidentes. Dados do sistema Infosiga mostram que, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2025, 15 ciclistas morreram em ocorrências de trânsito na cidade.

A ausência de ciclovias em importantes corredores de tráfego agrava ainda mais o cenário. Avenidas como Rio Branco, República, Castro Alves, João Ramalho e Tiradentes não contam com estrutura exclusiva para ciclistas, concentrando grande fluxo de veículos.

Trecho da ciclofaixa na Alameda Joaquim Cavina apresenta mato
alto e pintura desgastada, comprometendo a segurança dos ciclistas

Na zona Oeste, a situação é ainda mais delicada em vias como a avenida da Saudade, onde não há qualquer tipo de ciclovia. Nesses trechos, ciclistas são obrigados a compartilhar espaço com carros e motos, aumentando a exposição ao risco.

Morador do Jardim Cavallari, Miguel Henrique utiliza a bicicleta diariamente para ir ao trabalho e relata a insegurança enfrentada no trajeto. Segundo ele, a falta de infraestrutura adequada obriga os ciclistas a disputar espaço nas ruas, tornando o deslocamento mais perigoso.