Cidades Limpeza Urbana
Marília registra nota muito baixa em índice nacional de gestão de resíduos
Cidade apresenta desempenho inferior ao de cidades vizinhas no ISLU 2025 e reflete dificuldades na gestão de resíduos
15/04/2026 23h54
Por: Redação
Baixo índice de reciclagem na região centro-oeste paulista compromete metas de sustentabilidade

O Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU) 2025, elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), classificou Marília com o conceito ‘Muito Baixo’. Com uma pontuação geral de 0,486, o município ocupa a 1.933ª posição no ranking nacional, ficando abaixo da média das cidades com mais de 250 mil habitantes, que é de 0,577.  A análise detalhada revela que, embora a cidade atinja pontuações elevadas em engajamento (0,865) e impacto ambiental (1,000), o resultado final é severamente impactado pela ausência de sustentabilidade financeira e baixa recuperação de resíduos. 

Na comparação regional com municípios de perfil semelhante ou proximidade geográfica, Marília apresenta indicadores desfavoráveis em relação a vizinhos como Garça e Pompeia. Enquanto Garça obteve a pontuação de 0,530 (Conceito Baixo) e Pompeia atingiu 0,551 (Conceito Baixo), Marília permanece na faixa mais crítica do levantamento. 

Cidades menores como Lutécia (0,482) e Oscar Bressane (0,469) também figuram no conceito ‘Muito Baixo’, evidenciando um desafio comum na região centro-oeste paulista quanto à implementação plena da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A sustentabilidade financeira é o gargalo mais evidente para Marília, com pontuação zero nesta dimensão, o que indica a falta de uma estrutura de cobrança específica e eficiente para os serviços de manejo. 

Ourinhos e Assis apresentam realidades distintas: Ourinhos obteve 0,544 e Assis 0,503, ambas no conceito ‘Baixo’, superando o desempenho mariliense. A disparidade reforça a correlação entre a saúde financeira do sistema de limpeza e a capacidade de investimento em tecnologias de reciclagem e valorização de resíduos. 

Apenas 7% das cidades alcançaram bom desempenho 

O relatório da ABREMA destacou que apenas 7% dos municípios brasileiros alcançaram o conceito ‘Alto’, sendo a maioria das cidades (65%) enquadrada na categoria de Marília. Para reverter o quadro, o estudo sugere a transformação do setor em uma ‘utility’, com cobrança direta via tarifa, nos moldes dos serviços de água e energia. Sem a recuperação da receita e o aumento do percentual de reciclagem, que em Marília registrou apenas 0,007, a sustentabilidade do sistema de limpeza urbana permanece comprometida a longo prazo.

Os desafios da reciclagem e o impacto ambiental na região 

A dimensão da ‘Recuperação dos Resíduos Coletados’ é um dos maiores obstáculos para o avanço de Marília e seus vizinhos no ranking de sustentabilidade da ABREMA. Marília registra um índice de recuperação de apenas 0,007, um valor considerado inexpressivo diante das metas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Esse cenário não é exclusivo da cidade: Garça (0,016), Pompeia (0,037) e Ourinhos (0,001) também apresentam dificuldades em desviar resíduos recicláveis dos aterros sanitários. 

A baixa adesão a sistemas eficientes de coleta seletiva e a falta de infraestrutura para triagem refletem-se diretamente na pontuação regional. Mesmo cidades que possuem boa destinação final, como é o caso de Marília com nota máxima em impacto ambiental devido ao uso de aterros sanitários adequados, falham no reaproveitamento econômico do material coletado. A ABREMA enfatiza que a reciclagem e a geração de energia a partir de resíduos são fundamentais para uma indústria forte e sustentável. 

Para os pequenos municípios como Lutécia e Oscar Bressane, o desafio é ainda maior pela falta de ganhos de escala para a implementação de complexos de valorização. A integração regional por meio de consórcios é apontada pelo ISLU como uma possível solução para elevar a eficiência da coleta e a viabilidade econômica das usinas de triagem. O engajamento do cidadão, aliado a padrões técnicos claros, é visto como a única via para a universalização da coleta seletiva na região.