
Marília encerrou 2025 com uma transformação quantitativa e qualitativa em sua malha viária, marcada pela ascensão surpreendente das motocicletas. Entre dezembro de 2020 e dezembro de 2025, o número de motos saltou de 35.253 para 39.566 unidades, representando um incremento real de 12,23% em apenas cinco anos. Esse fenômeno, impulsionado pela busca por agilidade e economia, elevou a frota total para 194.254 veículos, consolidando um crescimento de 13,71%. No entanto, a expansão do modal sobre duas rodas trouxe consigo um impacto severo nos indicadores de segurança pública, conforme revelam os dados estatísticos de acidentes e óbitos.
A letalidade no trânsito mariliense apresenta uma relação direta com a vulnerabilidade deste segmento. No último período consolidado entre 2024 e 2025, Marília registrou 32 óbitos, dos quais 50% envolveram condutores ou passageiros de motocicletas. A desproporção é evidente: embora as motos não sejam a maioria absoluta da frota - posto ainda ocupado pelos automóveis, que somam 101.554 unidades -, elas assumem o topo da estatística de mortalidade. Além das fatalidades, o sistema de saúde municipal absorve a demanda de 1.261 acidentes com vítimas não fatais, onde o veículo de duas rodas também figura como protagonista nas ocorrências de ferimentos e sequelas.
O perfil de risco dos jovens condutores
O detalhamento das circunstâncias dos acidentes indica que o perímetro urbano é o espaço de maior risco para o motociclista mariliense. As vias municipais concentram 53% das fatalidades, superando os índices registrados nas rodovias que cortam a região (44%). A análise aponta que a maioria das mortes ocorreu em virtude de colisões, que respondem por 53% dos casos, seguidas por atropelamentos e choques contra objetos fixos.
Há, portanto, um indicativo de que a interação entre veículos nas ruas centrais e nos bairros tem sido marcada por uma severidade que desafia a infraestrutura viária e o comportamento dos usuários.
O perfil das vítimas fatais desenha um contorno social específico e preocupante: 81% dos mortos são homens, com uma incidência alarmante na faixa etária entre 18 e 24 anos. Esse grupo, que forma a base dos novos condutores e profissionais de logística, mostra-se o mais exposto à letalidade, especialmente durante os finais de semana. Entre sexta-feira e domingo, o sistema registra 56% das ocorrências fatais, com picos de gravidade nos turnos da noite e madrugada. A combinação entre juventude, pilotagem de motocicletas e o ambiente urbano configura o ponto de maior tensão para as políticas de mobilidade e segurança em Marília.
A radiografia da segurança viária e vulnerabilidade em Marília
Os dados do sistema Infosiga fornecem uma radiografia precisa da crise de segurança que acompanha o crescimento da frota em Marília. O protagonismo negativo das motocicletas nas estatísticas de óbitos (50%) é seguido por pedestres (22%) e automóveis (16%), reforçando que os usuários mais frágeis da via são os que mais perdem a vida. O elevado número de acidentes com vítimas não fatais - 1.261 registros em um ano - sugere uma pressão constante sobre os serviços de urgência e emergência, além do impacto socioeconômico gerado pelos afastamentos e tratamentos de saúde.
A análise geográfica demonstra que a segurança viária não é apenas um problema rodoviário, mas essencialmente urbano, visto que mais da metade das mortes ocorre dentro dos limites da cidade. O comportamento no trânsito, evidenciado pela prevalência de colisões e choques em horários noturnos e finais de semana, aponta para fatores como o excesso de velocidade e o desrespeito à sinalização. Para uma cidade que viu sua frota de motonetas crescer 20,76% (passando de 11.233 para 13.565 unidades) e a de caminhonetes subir 18,39% (de 10.514 para 12.448), a harmonia entre diferentes modais torna-se uma necessidade urgente para reverter a tendência de letalidade entre o público jovem masculino.