Cidades Zona Azul
Dificuldade na aceitação de dinheiro e falta de pontos de venda geram queixas na Zona Azul de Marília
Entre a modernidade dos aplicativos e a resistência da moeda física, consumidores encontram dificuldades na rede de atendimento e na aquisição de créditos em dinheiro
06/04/2026 08h51
Por: Redação
O fluxo de veículos no centro de Marília demanda um sistema de estacionamento ágil e acessível

O sistema de estacionamento rotativo em Marília tem gerado reclamações constantes de motoristas que circulam pela região central. A principal dificuldade reside na aquisição de créditos por meio de dinheiro em espécie, uma vez que os agentes de campo da concessionária Rizzo Park não realizam o recebimento direto. O modelo atual exige que o cidadão se desloque até pontos comerciais credenciados ou encontre totens de autoatendimento, o que tem sido classificado por usuários como um entrave à fluidez do serviço. A busca por uma vaga, que deveria ser um facilitador da dinâmica urbana, acaba consumindo tempo extra na localização de estabelecimentos que nem sempre estão devidamente identificados. 

A controvérsia central envolve a aceitação da moeda nacional e a logística da concessionária. Questionada sobre o amparo legal para que os agentes recusem o recebimento em espécie, a administração municipal informou que o sistema oferece alternativas. “O pagamento em dinheiro pode ser efetuado em toda a rede de lojas credenciadas, localizadas estrategicamente no entorno das vagas”, esclareceu a nota da Rizzo Parking enviada à reportagem do jornal A Cidade pela Diretoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Marília. 

Contudo, na prática, motoristas relatam confusão e falta de visibilidade sobre quais lojas possuem o selo da Rizzo Park. Esse cenário resulta em uma busca incerta que prejudica o consumidor e compromete a eficiência da rotatividade no comércio local. A barreira tecnológica torna-se ainda mais evidente em relação ao uso do PIX. 

Motoristas apresentaram queixas sobre uma obrigatoriedade de recarga mínima no valor de R$ 20 nas transações digitais, o que forçaria o usuário a antecipar créditos que não pretende utilizar de imediato. A Prefeitura de Marília, entretanto, nega a rigidez da regra. “O usuário não está restrito a valores mínimos de antecipação para utilizar o serviço”, garantiu o governo municipal, pontuando que cartões de débito ou crédito podem ser usados para valores inferiores. Essa divergência entre a norma oficial e a experiência relatada pelo condutor gera insegurança e desconfiança quanto à transparência do sistema. 

Falta de sinalização clara em lojas conveniadas dificulta
a identificação de pontos de venda física pelos condutores

Para o público idoso ou cidadãos que não possuem smartphones, a estrutura física de atendimento apresenta gargalos geográficos. A distância entre os equipamentos de autoatendimento e a sinalização insuficiente dos pontos de venda são obstáculos críticos para quem possui dificuldade de locomoção. A Emdurb defende que a região central dispõe de parquímetros e totens, mas reconhece a necessidade de ajustes. A concessionária foi formalmente instruída a ampliar a rede de parceiros e aprimorar a identificação visual. O objetivo da medida é garantir que o motorista saiba exatamente onde o dinheiro físico é aceito, evitando autuações por falta de pagamento decorrentes da inacessibilidade do sistema. 

Fiscalização da Emdurb 

A fiscalização da Emdurb busca equilibrar a operação tecnológica da empresa com o cumprimento dos direitos do consumidor. A notificação recente à Rizzo Park reforça a necessidade de adequação urgente na comunicação visual e na capilaridade do atendimento. A função do estacionamento rotativo deve ser o ordenamento do solo urbano de forma inclusiva, e não a criação de entraves burocráticos ao motorista. A expectativa para a melhoria do serviço recai para a efetiva expansão dos pontos físicos de venda.

Totens de autoatendimento instalados em pontos estratégicos
são as principais opções para pagamento sem celular

Mobilidade urbana e exclusão digital: o embate sobre o pagamento da Zona Azul 

Consumidores relatam em redes sociais que restrições ao uso de dinheiro em espécie dificultam o acesso ao comércio e afastam público do centro

O sistema de estacionamento rotativo em Marília, gerido pela Rizzo Park sob supervisão da Emdurb, é um instrumento essencial para a democratização do espaço público. Entretanto, a transição para modelos digitais levanta debates sobre exclusão financeira. Nas redes sociais do jornal A Cidade, consumidores expressam insatisfação recorrente em matérias sobre o tema. Em diversos comentários, os usuários lamentam que a impossibilidade de adquirir a cartela em dinheiro diretamente aos agentes os afasta do centro, dificultando a ida às lojas. Relatos detalham situações de frustração onde a falta de alternativas físicas práticas desencoraja o consumo local. 

Quando uma concessão pública dificulta a aceitação da moeda corrente, ainda que sob alegação de segurança, ela confronta o princípio legal do poder liberatório do real. O desafio da administração é modernizar o trânsito sem isolar quem depende da transação física. A recorrência de reclamações sobre a sinalização deficiente dos pontos credenciados aponta para uma falha que penaliza o motorista. 

Distâncias excessivas até totens descaracterizam a conveniência do serviço. A recente intervenção da Prefeitura busca corrigir esse desequilíbrio, focando na expansão da rede. O sucesso da mobilidade depende de um sistema inteligente, mas que permaneça funcional para quem utiliza o pagamento tradicional.

Confira na íntegra a nota da Emdurb sobre a Rizzo Park 

A Prefeitura de Marília, por meio da Empresa Municipal de Mobilidade Urbana de Marília (EMDURB), informa que mantém fiscalização constante sobre o sistema de estacionamento rotativo e, diante dos questionamentos apresentados, esclarece os seguintes pontos sobre a operação da concessionária Rizzo Park: 

O sistema de estacionamento rotativo oferece diversas opções para a quitação da tarifa, garantindo o poder liberatório da moeda nacional. Embora os agentes de campo não realizem o recebimento direto em espécie por questões de segurança e logística operacional, o pagamento em dinheiro pode ser efetuado em toda a rede de lojas credenciadas, localizadas estrategicamente no entorno das vagas geridas pela empresa Rizzo Park. 

Em relação à utilização do PIX, a municipalidade informa que o usuário não está restrito a valores mínimos de antecipação para utilizar o serviço. Caso o cidadão não deseje adquirir o montante de R$ 20,00 via PIX, ele pode optar pela compra de créditos em valores inferiores por meio de cartões de débito ou crédito, além do pagamento proporcional em dinheiro diretamente nos pontos de venda parceiros. 

Para atender o público que não utiliza smartphones ou possui dificuldades de locomoção, a região central conta com uma estrutura composta por parquímetros instalados em pontos estratégicos, totens de autoatendimento e comércio local credenciado, que funciona como ponto físico de venda de créditos. 

A administração municipal reitera que está atenta às demandas dos usuários e já notificou a concessionária para que amplie a rede de empresas parceiras, facilitando o recebimento em espécie. Além disso, a empresa foi formalmente instruída a melhorar a sinalização e a exposição dos estabelecimentos conveniados, garantindo que o motorista identifique com clareza onde adquirir suas recargas físicas.