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Marília acumula quase 12 anos de espera por credenciamento oficial de seu Parque Tecnológico
Governo de São Paulo confirma que processo iniciado em 2014 está paralisado por falta de documentos, enquanto a área reservada ao projeto foi redirecionada para a área da saúde
29/03/2026 00h42
Por: Redação
Expectativa por polo tecnológico em Marília completa 11 anos e nove meses de entraves burocráticos

A trajetória de Marília rumo à formalização de seu Parque Tecnológico e de Inovação oficial começou sob forte otimismo no segundo semestre de 2014. Naquele período, impulsionado por uma reportagem de circulação nacional que destacava o crescimento exponencial do setor de Tecnologia da Informação (TI) mariliense, o município recebeu a visita do então governador Geraldo Alckmin. 

No saguão do aeroporto municipal, Alckmin autorizou pessoalmente o início dos trâmites para que a cidade se tornasse a 29ª unidade do gênero no Estado, após diálogo direto com o prefeito Vinicius Camarinha. Entretanto, desde aquele encontro até março de 2026, o que se sucedeu foi um longo ciclo de promessas não concretizadas, totalizando 11 anos e nove meses de espera. 

Em posicionamento oficial após demanda da reportagem do jornal A Cidade, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo esclareceu que o pedido de credenciamento do Parque Tecnológico de Marília não teve prosseguimento devido à “ausência do envio da documentação necessária, conforme Decreto nº 60.286/14”. Apesar do travamento burocrático do parque, a pasta estadual ressaltou que o município não está desassistido de infraestrutura tecnológica. 

Atualmente, Marília possui três ambientes credenciados no Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (Spai): o Centro Incubador de Empresas de Marília (CIEM/Univem), o Centro de Inovação do Univem e o Centro de Inovação Tecnológica da Faculdade de Medicina de Marília (CIT-FAMEMA). 

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O destino das áreas reservadas no distrito de Lácio 

A área originalmente reservada para a instalação do complexo tecnológico, localizada no distrito de Lácio, reflete a mudança de rumos das gestões municipais ao longo da última década. Durante o governo de Daniel Alonso, o espaço foi utilizado inicialmente como uma área para acumula inservíveis e entulhos - inclusive o Município chegou a receber multa da Cetesb por isso - e, mas no final dos 8 anos de gestão, serviu para a realização de rodeios, evento que até então vinha gerando embates judiciais na cidade por conta da resistência de organizações não governamentais de defesa da causa animal. 

Na ocasião, a Justiça acatava embargos de impedimento fundamentados em evidências de maus-tratos aos bovinos e equinos. Recentemente, o terreno recebeu um novo destino institucional e deverá abrigar o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), sob a responsabilidade do atual prefeito Vinicius Camarinha. 

A Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia reforçou que a sua equipe técnica permanece à disposição para orientar a retomada do processo de credenciamento do parque mariliense. Contudo, os dados consolidados do Spai até outubro de 2025 mostram que Marília permanece classificada apenas com membros associados. 

O fortalecimento do empreendedorismo tecnológico local depende agora de uma ação administrativa municipal que vença a barreira documental imposta pelo decreto de 2014. Sem o envio formal dos requisitos, o projeto que prometia integrar a ciência e a indústria regional como ocorre em centros como São José dos Campos e São Carlos continua restrito aos arquivos de intenções, aguardando resolutividade.

O panorama do Inova Simples e o crescimento das startups em São Paulo

 O panorama da inovação no Estado de São Paulo apresenta uma dinâmica de crescimento acelerado através do regime Inova Simples, modalidade jurídica criada pela Lei Complementar nº 167/2019 para facilitar a formalização de startups e negócios disruptivos. De acordo com dados da Fundação Seade e da Receita Federal, o número de empresas simples de inovação ativas no estado saltou de apenas 6 unidades em 2021 para 1.149 em 2024, atingindo a marca de 1.881 empresas em maio de 2025. Este regime oferece um rito sumário para abertura, alteração e fechamento de negócios, visando estimular o desenvolvimento de agentes indutores de avanços tecnológicos e a geração de emprego e renda em todo o território paulista.

 Na distribuição geográfica destas empresas, a Região Metropolitana de São Paulo concentra a ampla maioria, com 1.301 unidades (69,2% do total), seguida pelas Regiões Administrativas de Campinas, com 144, e São José dos Campos, com 93. No recorte municipal, Marília figura com 10 empresas ativas sob o regime Inova Simples até maio de 2025. Em termos setoriais, predominam no estado os serviços administrativos com 341 empresas, seguidos por tecnologia da informação com 307 e educação com 250 unidades. O Inova Simples concede tratamento diferenciado para estimular a criação e consolidação dessas iniciativas, permitindo que a inovação avance mesmo diante de entraves burocráticos em projetos físicos de maior escala.