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Superlotação e falta de infraestrutura geram queixas em linhas de ônibus da zona Oeste de Marília

Usuários das linhas que atendem o campus universitário e polos de serviços reivindicam mais veículos e melhorias nos pontos de parada

Por: Redação
26/03/2026 às 15h15
Superlotação e falta de infraestrutura geram queixas em linhas de ônibus da zona Oeste de Marília
Troca de turno em empresas de call center sobrecarrega o transporte coletivo nos horários de pico

A superlotação e a falta de infraestrutura básica nas linhas de ônibus que atendem a zona Oeste de Marília têm gerado uma onda de queixas entre os usuários do transporte coletivo. Passageiros que dependem dos itinerários voltados ao campus universitário e aos principais polos de serviços da região reivindicam o aumento imediato da frota e melhorias urgentes nos pontos de parada. O descontentamento é acentuado pela precariedade do serviço em horários estratégicos de deslocamento, afetando diretamente a rotina de quem trabalha ou estuda nas proximidades da avenida da Saudade e arredores. 

As declarações colhidas nos pontos da rota confirmam a gravidade da situação. “Faltam ônibus no Maracá. É bem mais fácil embarcar do terminal para o Maracá. Sair do Maracá é o problema maior”, relatou a auxiliar de limpeza Rose Dias, que enfrenta diariamente as dificuldades de acesso ao transporte no bairro onde reside. Pouco depois, no mesmo ponto de embarque, a psicóloga Ana Carolina Capelotti corroborou o cenário de saturação do sistema. “A linha do campus sempre está lotada, principalmente nos horários de troca de turno da Paschoalotto”, explicou Ana Carolina, que alterna o uso do coletivo com o transporte por aplicativo para tentar equilibrar o custo mensal com o mínimo de conforto. 

A rotina de Rose Dias começa antes das seis da manhã. Moradora do Jardim Maracá, ela trabalha em uma clínica na região central e depende de duas conduções para completar o trajeto. Além da escassez de veículos em horários específicos, a trabalhadora aponta a falta de infraestrutura básica: o ponto de embarque na avenida da Saudade não possui cobertura, obrigando os passageiros a buscarem abrigo em estabelecimentos comerciais vizinhos durante dias de chuva. Para ela, a previsibilidade dos horários de retorno não compensa a dificuldade enfrentada na saída do bairro, onde a oferta de linhas é considerada insuficiente para a demanda local. 

Para a psicóloga Ana Carolina, o uso do transporte coletivo é uma escolha estritamente financeira, uma vez que o custo do transporte por aplicativo dobraria seus gastos mensais. No entanto, a economia vem acompanhada do desconforto da superlotação, especialmente nos períodos de entrada e saída dos funcionários do maior call center da cidade, localizado próximo ao campus da Unimar. A profissional ressaltou que a melhoria do sistema passa obrigatoriamente pela renovação da frota com a instalação de ar-condicionado e, fundamentalmente, pelo aumento da frequência de veículos para reduzir o volume de passageiros por viagem. 

As reclamações dos passageiros da zona Oeste ocorrem em um momento estratégico para a mobilidade urbana de Marília. O contrato de concessão atual, que divide a operação da cidade entre duas empresas, expira em dezembro de 2026. Com cerca de 30 mil usuários diários em todo o município, a administração municipal terá o desafio de estruturar uma nova licitação que corrija os problemas de saturação das linhas periféricas. A transição para um novo modelo de contrato é vista como a oportunidade para que as reivindicações de passageiras como Rose e Ana Carolina - por mais linhas, menos lotação e mais conforto térmico - deixem de ser promessas e se tornem requisitos técnicos obrigatórios.

Ônibus de transporte público lotado em Marília

A queda na demanda e a explosão da frota individual

O esvaziamento do transporte coletivo em Marília é um fenômeno que acompanha o crescimento acelerado da frota de veículos particulares. Entre 2012 e 2025, o número de automóveis e motocicletas na cidade cresceu 48,06%, saltando de 131 mil para mais de 194 mil registros. 

O impacto mais severo é sentido no sistema de ônibus, que transportava mais de um milhão de passageiros pagantes por mês no início da década passada e, atualmente, mantém uma média de apenas 500 mil usuários. Esse cenário de "fuga" do transporte público é alimentado pela percepção de que o serviço coletivo não compete em agilidade e conforto com o transporte individual e os aplicativos de viagens, que hoje operam com mais de 2 mil veículos na cidade.

Falta de cobertura em pontos de parada obriga passageiros a buscarem abrigos improvisados

O impacto dos aplicativos e a economia do passageiro 

Custo do transporte por plataforma pode dobrar gastos mensais de trabalhadores

O avanço das plataformas de transporte por aplicativo em Marília, estimado em mais de 2 mil veículos em operação, transformou a dinâmica de deslocamento na cidade, mas impõe um desafio financeiro aos usuários. 

Para passageiros que realizam o trajeto casa-trabalho diariamente, a substituição total do ônibus pelo Uber ou similares pode representar um aumento de 100% nas despesas mensais com mobilidade. Esse fator econômico é o que mantém uma parcela significativa da população dependente das linhas de ônibus, mesmo diante das críticas sobre a qualidade do serviço. 

A preferência pelo transporte coletivo, portanto, é guiada pela necessidade de economia, o que pressiona as concessionárias e o poder público por uma contrapartida em eficiência. Usuários relatam que, nos finais de semana, a espera por um ônibus pode ultrapassar uma hora e meia, levando muitos a desistirem de compromissos ou a recorrerem ao transporte individual, mesmo com o custo elevado. 

A integração de novas tecnologias e a climatização da frota são apontadas como caminhos necessários para que o transporte coletivo recupere o passageiro que hoje prioriza o carro ou a motocicleta por falta de alternativas viáveis.

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