
Embora figure como a 127ª maior população do Brasil, Marília ocupa apenas o 3.423º lugar no ranking nacional de receita por habitante entre os 5.479 municípios avaliados pelo Índice de Finanças e Execução Municipal (IFEM). Com uma receita per capita fixada em R$ 6.321,29, o município registra um valor 66% abaixo da média nacional, mostrando contraste entre o porte demográfico da cidade e sua capacidade de arrecadação por cidadão.
Os dados, consolidados pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) com base em 2024, mostram que a cidade cresceu 22,08% em número de moradores nas últimas duas décadas, atingindo 246.627 pessoas, mas não acompanhou o mesmo ritmo na densidade financeira per capita. No cenário estadual, o desempenho fiscal de Marília também apresenta recuos comparativos, ocupando a 448ª colocação entre os 645 municípios paulistas no quesito receita por habitante.
O valor registrado na cidade é 41% inferior à média dos municípios do Estado de São Paulo, o que resultou em uma queda acentuada no ranking de percentil nacional ao longo dos últimos 24 anos. Enquanto no ano 2000 o município estava na casa dos 85% — figurando entre as maiores receitas do país -, em 2024 esse indicador caiu para 38%, sinalizando que o crescimento econômico local foi superado pela evolução de outras localidades de mesmo perfil.
Ao ser confrontada com cidades de porte semelhante (acima de 100 mil habitantes), Marília apresenta uma arrecadação de impostos, taxas e contribuições de R$ 1.583,89 por habitante, valor que supera 59,0% das prefeituras deste grupo. Contudo, a dependência de transferências correntes é um ponto de atenção, já que o montante recebido de R$ 3.579,61 por pessoa fica abaixo da média de R$ 3.674,64 registrada por municípios de igual tamanho. No recorte nacional, a receita de Marília proveniente de transferências supera apenas 7,0% das cidades brasileiras, reforçando a necessidade de otimização das fontes de recursos externos.
A região diverge de Marília
Em contrapartida, cidades da região apresentam variações que divergem do comportamento da sede regional. Pompeia, por exemplo, ostenta uma receita por habitante de R$ 9.215,54, o que a coloca na 1.356ª posição nacional - significativamente à frente de Marília no ranking de eficiência financeira per capita.
Garça também registra um valor superior ao mariliense, com R$ 6.562,56 por cidadão, tendo apresentado um crescimento de 185,88% em sua receita per capita desde o ano 2000. Já Vera Cruz, apesar de possuir apenas 10.294 habitantes, mantém uma receita de R$ 6.107,88 por pessoa, muito próxima ao índice de Marília, mesmo com a queda populacional registrada na última década.
Pompeia é a cidade da região que mais se destaca no IFEM
Confira o panorama também de Garça e Vera Cruz no estudo da FNP
O detalhamento das cidades vizinhas revela que a gestão da receita não está necessariamente atrelada ao crescimento demográfico. Pompeia destaca-se com a maior receita tributária própria da região, arrecadando R$ 1.026,85 em impostos e taxas por habitante, o que a coloca acima de 84,0% dos municípios do país neste quesito.
Garça, por sua vez, embora tenha reduzido sua população em 2,84% nas últimas duas décadas, conseguiu elevar sua receita total por habitante de forma expressiva, superando 95,0% das cidades brasileiras na categoria de "outras receitas correntes".
Vera Cruz apresenta um cenário de resistência fiscal, mantendo-se no ranking com uma receita de impostos de R$ 833,68 por habitante, valor que supera 74,0% das prefeituras nacionais, apesar de ter sofrido uma redução populacional de 8,9% desde o ano 2000.