
O quilômetro 323 da rodovia Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333), em Marília, permanece inalterado para os pedestres, que continuam se arriscando ao enfrentar o tráfego intenso para cruzar a via. A esperança de uma travessia segura esbarra na realidade de uma rodovia que prioriza a tecnologia de vigilância em detrimento da mobilidade urbana protegida.
Enquanto câmeras de monitoramento com inteligência artificial foram instaladas recentemente para fiscalizar o tráfego e possíveis infrações, o pedestre continua invisível e desamparado. A IA chegou ao trecho com promessas de ordem, mas a passarela, estrutura essencial para salvar vidas e garantir o direito de ir e vir dos moradores, ainda não saiu do papel, deixando trabalhadores à própria sorte.
“Todos os dias preciso atravessar a rodovia aqui e, sem a passarela, temo pela minha vida”, relatou a trabalhadora Andrea Lima de Carvalho, que utiliza o trecho rotineiramente. A angústia de Andrea é compartilhada por centenas de pessoas que residem nos bairros Altos do Palmital e Marina Moretti e precisam acessar seus locais de trabalho ou a UPA da zona Norte.
Além da ausência da passarela, Andrea denuncia a precariedade da iluminação no local, o que torna a travessia noturna um exercício de extremo risco. A comparação com outros pontos da SP-333 e da Rodovia do Contorno (SP-294), onde estruturas seguras foram instaladas, aumenta a sensação de abandono sentida pelos moradores da região Norte.
O fluxo de pedestres no quilômetro 323 é frequente e atinge seu ápice nos horários de entrada e saída dos turnos de trabalho. Ketlen Lorrane, que atua em um dos centros logísticos instalados na área, descreveu a rotina de tensão que enfrenta todas as manhãs. Segundo ela, a necessidade de cruzar a pista não é uma opção, mas a única forma de chegar ao emprego. O medo de ser atingida por veículos em alta velocidade é uma constante que acompanha cada passo entre o acostamento e o canteiro central. Para trabalhadores como Ketlen, a espera pela passarela transformou-se em uma agonia diária que coloca a integridade física em segundo plano diante da necessidade de sobrevivência econômica.
A insegurança é sentida também por Renata Lea de Oliveira, que presencia o risco de acidentes todos os dias no local. “É um descaso total, pois atravessar aqui é um desafio mortal, onde cada minuto é uma roleta-russa e precisamos urgentemente que as autoridades construam essa passarela para proteger nossas vidas”, desabafou Renata.
Mais empresas, mais casas e sem passarela
O crescimento da zona Norte de Marília transformou drasticamente a dinâmica da região, tornando ainda mais urgente a adequação viária no trecho da
SP-333. A instalação do centro logístico do Mercado Livre, a abertura da segunda unidade do Max Atacadista e a construção de diversos novos conjuntos habitacionais atraíram um contingente populacional muito maior para o entorno da rodovia.
Com esse adensamento urbano, o fluxo de trabalhadores e consumidores aumentou consideravelmente, saturando as vias locais e intensificando o número de pedestres que se veem obrigados a transitar entre o tráfego rodoviário. A Inteligência Artificial pode estar monitorando o fluxo de veículos, mas as câmeras não impedem que acidentes ocorram e, muito menos, substituem a função social de uma passarela. A população aguarda que a mesma agilidade aplicada na modernização tecnológica seja usada para garantir que, finalmente, a travessia dos trabalhadores deixe de ser uma tragédia anunciada.
Passarela garantiria cotidiano mais seguro aos trabalhadores
“É um descaso total, pois atravessar aqui é um desafio mortal, onde cada minuto é uma roleta-russa e precisamos urgentemente que as autoridades construam essa passarela para proteger nossas vidas”, afirmou a trabalhadora Renata Lea de Oliveira. Ela, assim como muitos outros moradores da região Norte, convive diariamente com a insegurança de transitar a pé por um trecho rodoviário que não oferece qualquer proteção aos pedestres.
A reivindicação por uma passarela não é apenas um pedido por conforto, mas uma necessidade vital diante do tráfego intenso e constante na SP-333. A ausência dessa estrutura básica obriga os cidadãos a se arriscarem em meio a veículos em alta velocidade, expondo trabalhadores e estudantes ao perigo iminente de atropelamentos.
Para os moradores dos bairros Altos do Palmital e Marina Moretti, o medo é o companheiro constante no trajeto diário. A esperança da comunidade é que o apelo por segurança seja finalmente ouvido pelas autoridades, antes que o próximo acidente na rodovia tenha consequências fatais.
Memória e perigo na Dona Leonor Mendes de Barros
Há mais de 10 meses, o jornal A Cidade documentou o mesmo drama vivido pelos pedestres no quilômetro 323 da Rodovia Dona Leonor Mendes de Barros. Naquela ocasião, a falta de uma passarela já era apontada como uma falha grave na infraestrutura da região, obrigando moradores a se arriscarem entre os veículos para acessar seus destinos. Passados quase um ano, o cenário permanece o mesmo, sem qualquer avanço na proteção de quem transita a pé.
Durante o retorno da equipe de reportagem ao local, a situação de risco ficou evidente diante da imprudência. Veículos, incluindo uma motocicleta, foram flagrados trafegando em alta velocidade, ignorando completamente os limites de segurança do trecho. O desrespeito às normas de trânsito potencializa o risco de morte e reforça a urgência de uma intervenção definitiva pelo poder público.