
A implementação do sistema de Zona Azul gerenciado pela empresa Rizzo Parking em Marília tem gerado reclamações por parte dos motoristas, que enfrentam dificuldades crescentes com a nova política de exclusão do pagamento em dinheiro físico aos agentes de campo. A reportagem do jornal A Cidade vivenciou o problema ao estacionar na rua Quinze de Novembro, esquina com a rua Nove de Julho, próxima ao Mercadão Municipal, e levar mais de 15 minutos para localizar um agente.
Ironicamente, poucos segundos após o estacionamento do veículo, um carro de monitoramento da empresa passou pelo local, fiscalizando a área enquanto o usuário ainda buscava formas de realizar o pagamento. Ao encontrar um funcionário, a orientação recebida foi direta: o agente não estava apto a receber valores em espécie, sendo necessário buscar estabelecimentos conveniados ou utilizar a tecnologia disponível nas proximidades.
Essa estratégia da concessionária, que administra cerca de 3 mil vagas na cidade, visa claramente a digitalização total do serviço, substituindo o contato humano pelo uso de aplicativos, cartões e dispositivos de autoatendimento. Em um raio de apenas 50 metros do local onde a reportagem estacionou, dois parquímetros foram identificados, reforçando a tendência de priorização tecnológica sobre a conveniência do usuário.
Contudo, essa transição não tem sido isenta de críticas, especialmente devido à imposição de normas restritivas, como a exigência de um valor mínimo de R$ 20 para transações via PIX, o que obriga o condutor a desembolsar antecipadamente uma quantia superior à necessária para o uso imediato do estacionamento rotativo, gerando um descontentamento generalizado entre os marilienses que ainda dependem do dinheiro vivo.
“O sistema é horrível”, afirma motorista
A tecnologia, embora apresente promessas de agilidade, tem se traduzido em transtornos reais para os usuários do sistema. A digital influencer Júlia Alves é um exemplo dessa problemática; mesmo após cadastrar seu cartão no aplicativo da Rizzo, ela foi surpreendida com a aplicação de duas multas por não uso da cartela eletrônica. Segundo a motorista, uma função de pagamento automático bloqueada por segurança teria impedido a renovação do ticket, resultando na punição indevida.
“Para mim estava tudo certo, mas aí quando vi, fui multada duas vezes!”, relatou, demonstrando indignação. Após procurar um atendente para entender o ocorrido e receber orientações, ela sintetizou o sentimento de muitos outros condutores: “Este sistema da Zona Azul em Marília está horrível”, afirmou. O sistema de cobrança da zona azul em Marília estabelece tarifas fixas de R$ 2,50 para 60 minutos, R$ 5,00 para 120 minutos e R$ 6,00 para 180 minutos de permanência. O horário de funcionamento compreende de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h. Caso o usuário não possua o ticket ativo no momento da fiscalização, é aplicada a tarifa pós-utilização no valor de R$ 25,00, que deve ser quitada no prazo máximo de 48 horas.
A rigidez dessas regras, aliada à dificuldade de operacionalização via agentes ou parquímetros, torna a experiência do condutor extremamente estressante. Muitos motoristas relatam um sentimento de descaso por parte da empresa, que parece não considerar a diversidade de perfis dos seus usuários e suas limitações de acesso aos meios digitais exigidos.
O Procon de Marília orienta que todos os usuários que se sentirem lesados pelo sistema devem formalizar suas reclamações diretamente no órgão. É fundamental que o cidadão reúna comprovantes de eventuais cobranças indevidas, prints de telas do aplicativo ou registros de multas contestadas para fortalecer sua demanda.
O sistema de estacionamento rotativo Zona Azul em Marília opera sob uma estrutura rígida, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h. As tarifas aplicadas seguem o escalonamento de R$ 2,50 para 60 minutos, R$ 5,00 para 120 minutos e R$ 6,00 para o período máximo de 180 minutos. A fiscalização, realizada de forma eletrônica por meio de veículos monitorados, tem sido rigorosa: o descumprimento das normas ou a ausência de ativação do ticket digital resulta na aplicação imediata de uma tarifa pós-utilização, fixada em R$ 25,00. Essa taxa de regularização, que já é motivo de frequentes queixas pelos motoristas, tornou-se um símbolo da complexidade do novo modelo de gestão terceirizada na cidade.
Caso o condutor seja autuado por falta de ticket ativo, o regulamento estipula um prazo máximo de 48 horas para que o valor da tarifa pós-utilização seja quitado por meio dos canais oficiais disponibilizados pela empresa Rizzo Parking. Devido ao crescente número de insatisfações e relatos de falhas operacionais, a orientação oficial é de que qualquer reclamação - seja sobre o funcionamento instável do sistema, dificuldades recorrentes com o aplicativo ou casos de multas consideradas indevidas - seja formalmente encaminhada ao Procon de Marília para que sejam adotadas as providências legais cabíveis contra a concessionária.
A realidade revela um cenário de tensão: em apenas um quarteirão, a reportagem flagrou três veículos autuados com a notificação de multa, evidenciando a intensidade da fiscalização. Contudo, ao percorrer um trecho de cinco quarteirões, apenas um agente da empresa foi localizado, dificultando o suporte imediato aos usuários. Para agravar, os agentes não estão mais autorizados a receber pagamentos em dinheiro físico para a compra das cartelas, uma política impositiva que frustra quem prefere ou depende do papel-moeda. Esse cenário obriga o motorista a buscar alternativas digitais ou estabelecimentos comerciais distantes. E, quanto ao PIX, só acima de R$ 20.