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Campanha da Fraternidade destaca déficit habitacional e população em situação de rua

Com o tema “Fraternidade e Moradia”, a campanha deste ano dialoga com a realidade de Marília, onde a população em situação de rua cresceu 636,6% em cinco anos

Por: Redação
27/02/2026 às 11h42
Campanha da Fraternidade destaca déficit habitacional e população em situação de rua
Tema da Campanha da Fraternidade 2026 propõe reflexão sobre moradia e vulnerabilidade social

A Campanha da Fraternidade 2026, lançada na Quarta-feira de Cinzas, tem como tema “Fraternidade e Moradia” e propõe reflexão sobre o déficit habitacional, as condições precárias de habitação e o avanço da população em situação de rua no país. No Brasil, são mais de seis milhões de famílias sem moradia adequada e cerca de 330 mil pessoas em situação de rua.

O tema também faz parte da realidade cotidiana de Marília, onde ocupações, moradias em áreas de risco e a presença de pessoas em situação de rua têm ganhado visibilidade. Segundo o Plano Local de Habitação de Interesse Social, o município reúne 19 assentamentos classificados como favelas ou não - que sofrem com habitações improvisadas e a carência de infraestrutura básica, como pavimentação e iluminação. O diagnóstico aponta 6.422 famílias em situação de déficit habitacional, revelando que o desafio não se limita à falta de moradia, mas envolve também condições inadequadas de permanência no espaço urbano, como já destacado em matérias publicadas pelo Jornal A Cidade nos últimos anos.

Dados do Cecad, sistema de consulta do CadÚnico, apontam 302 pessoas em situação de rua no município.

Do total registrado, 276 são homens e 27 mulheres. Em relação à cor declarada, 150 pessoas são pardas, 121 brancas, 31 pretas e 1 amarela. Quanto à escolaridade, 59 concluíram o ensino médio, 48 possuem ensino fundamental, 40 não concluíram essa etapa, três têm ensino superior e 22 não tiveram instrução.

A distribuição por idade revela presença em diferentes faixas etárias, com maior concentração entre 40 e 49 anos. Há registros desde jovens de 18 a 24 anos até pessoas com mais de 65 anos vivendo nas ruas.

O crescimento é expressivo: o número de pessoas nessa condição aumentou 636,6% em cinco anos, passando de 41 registros em 2021 para 302 no levantamento mais recente. A evolução reforça o debate proposto pela campanha nacional sobre acesso à moradia digna e políticas públicas voltadas à população vulnerável.

Apesar de elevados, os números podem não representar com precisão a dimensão real do problema. Há indicativos de subnotificação, uma vez que a coleta de dados costuma se concentrar nas regiões centrais, o que pode deixar de fora registros de outras áreas da cidade.

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