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Patriarcalismo enraizado alimenta ciclo de 50 dias de brutalidade contra mulheres em Marília

Com dois feminicídios e duas tentativas de homicídio em menos de dois meses, subseção da OAB ressalta urgência de combater herança cultural para frear a onda de violência

Por: Redação
27/02/2026 às 00h53
Patriarcalismo enraizado alimenta ciclo de 50 dias de brutalidade contra mulheres em Marília
A prevenção precisa focar foca na desconstrução do patriarcalismo enraizado na sociedade local - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Marília atravessa semanas sombrias e violentas no que diz respeito à segurança da mulher, registrando uma escalada de violência que desafia as autoridades e a rede de proteção. Em um curto intervalo de apenas 50 dias - compreendido entre a antevéspera do Natal de 2025 e o dia 11 de fevereiro de 2026 -, a cidade que leva o nome da musa dos Inconfidentes Mineiro (a Marília de Dirceu) contabilizou ao menos quatro casos graves de agressões extremas. O saldo dessa violência desenfreada é devastador: dois feminicídios consumados e outras duas tentativas de assassinato por esfaqueamento que chocaram a opinião pública pela crueldade dos métodos empregados pelos agressores, evidenciando uma vulnerabilidade latente no ambiente doméstico. 

A sequência de horrores teve um ponto crítico em 23 de dezembro de 2025, quando uma profissional da saúde de 43 anos foi morta pelo ex-companheiro. Mais recentemente, em 9 de fevereiro, o cenário de barbárie se repetiu com contornos ainda mais dramáticos. Uma servidora pública foi esfaqueada pelo ex-companheiro em plena via pública. O agressor, em uma violência sequencial, havia assassinado brutalmente a marteladas sua atual namorada, uma jovem de apenas 17 anos, horas antes do ataque à servidora. O corpo da adolescente foi encontrado pela própria mãe, em uma cena que simboliza o ápice da tragédia familiar e o desrespeito absoluto à vida feminina. 

Diante desta conjuntura de dor, a 31ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Marília, atualmente presidida pela doutora Alessandra Carla dos Santos Guedes, tem intensificado suas discussões por meio da Comissão das Mulheres Advogadas. Composta por oito profissionais, a comissão não restringe sua atuação apenas à classe, mas busca amparar todas as mulheres, especialmente as mais vulneráveis e carentes de orientação jurídica. O foco do grupo é fortalecer o vínculo entre as advogadas e promover a união em prol de idosas, estudantes e profissionais de diversas áreas, visando garantir que os mecanismos de proteção legal cheguem efetivamente a quem precisa interromper o ciclo de abuso. 

O desafio cultural e a escuta ativa 

A doutora Cleomara Cardoso de Siqueira, presidente da comissão, analisou o momento vivido pela cidade sob uma ótica estrutural, apontando as dificuldades de ordem cultural como o maior obstáculo. “Existem homens e mulheres que acham normais determinados comportamentos, típico do patriarcalismo ainda enraizado nas pessoas”, afirmou a advogada. Para ela, essa herança cultural repercute não apenas nas vítimas e agressores, mas também nos profissionais que precisam ter um olhar diferenciado sobre a causa. A comissão foca em trabalhos de conscientização em grupos de jovens e idosas, realizando palestras e aplicando a escuta ativa para identificar os tipos de violência antes que eles evoluam para o desfecho fatal do feminicídio. 

Embora a comissão tenha optado por não realizar manifestos públicos específicos sobre os casos recentes, respeitando as particularidades de cada mérito judicial, o trabalho de base completa quase uma década de atuação em Marília. Através de projetos como o Semear e visitas a escolas e faculdades, as oito advogadas buscam desconstruir a normalização da violência institucional e doméstica. 

A doutora Cleomara reforçou que a identificação precoce dos sinais de abuso e a utilização das redes sociais para informar sobre violações de direitos são as ferramentas escolhidas para combater o patriarcalismo que, como demonstram os últimos 50 dias, continua a vitimar mulheres de todas as idades na cidade que é batizada com nome de uma mulher.

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