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Marília registra despesa superior à receita e ocupa 32ª posição em gastos no Estado de São Paulo

Dados da 21ª edição do anuário Multi Cidades revelam déficit orçamentário no fechamento do ciclo político de oito anos da gestão municipal anterior

Por: Redação
26/02/2026 às 02h13
Marília registra despesa superior à receita e ocupa 32ª posição em gastos no Estado de São Paulo
Marília busca equilibrar o custeio da rede municipal frente ao aumento das despesas em saúde

Conforme os dados detalhados na 21ª edição do anuário Multi Cidades, elaborado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) em parceria com a Aequus Consultoria, o município de Marília encerrou o exercício fiscal de 2024 com um descompasso em suas contas públicas. A receita total arrecadada pela cidade atingiu a cifra de R$ 1.485.561.116,41, enquanto a despesa empenhada no mesmo período saltou para R$ 1.525.926.914,05. Esse balanço financeiro coloca Marília como a 32ª cidade que mais gasta no Estado de São Paulo e a 34ª em volume de arrecadação. No cenário nacional, o município ocupa a 111ª posição em despesas e a 112ª em receitas. O levantamento é realizado pela FNP, entidade fundada em 1989 e dirigida exclusivamente por prefeitos em exercício, reunindo todas as capitais e municípios com mais de 80 mil habitantes.

A análise técnica do anuário é da Aequus Consultoria, empresa que atua desde 1995 com foco na análise e gestão das finanças públicas municipais, desenvolvendo sistemas de inteligência fiscal para entes públicos. O período abrangido por este relatório é particularmente significativo, pois engloba o último ano do primeiro mandato (2017-2020) e os quatro anos integrais do segundo mandato (2021-2024) do ex-prefeito Daniel Alonso, atualmente presidente do diretório municipal do PL (Partido Liberal) e empresário do ramo da construção civil e venda de materiais para construção.

Ao comparar os extremos desse ciclo, observa-se que a receita municipal saltou de R$ 1.263.386.230 em 2020 para R$ 1.485.561.170 em 2024, representando um crescimento real de 17,58%. Contudo, a despesa total subiu de R$ 1.286.288.790 para R$ 1.525.926.910 no mesmo intervalo, um salto de 18,63%, o que explica o déficit atual. 

O panorama mariliense destoa de parte da realidade nacional, já que, segundo a FNP, 87,3% das cidades brasileiras apresentaram superávit em 2024. Em termos de investimentos em áreas prioritárias, o país registrou aportes de R$ 316 bilhões na saúde pelos municípios apenas no ano passado. Durante o quadriênio de 2021 a 2024, o montante total investido pelas prefeituras brasileiras em saúde alcançou quase R$ 460 bilhões. Esses números reforçam a importância do anuário como uma radiografia precisa das condições fiscais, permitindo comparar a eficiência de gestão de Marília frente a outros municípios brasileiros de médio e grande porte, que enfrentam desafios similares de arrecadação e custeio. 

O desempenho tributário do IPVA e ICMS 

No detalhamento das receitas tributárias específicas, Marília apresenta posições intermediárias nos rankings. No quesito IPVA, a cidade é a 69ª do Brasil e a 47ª do Estado de São Paulo. A arrecadação deste imposto demonstrou fôlego constante, saindo de R$ 66,23 milhões em 2020 para R$ 86,57 milhões em 2024. Já em relação ao ICMS, o município ocupa a 141ª posição nacional e a 47ª estadual. A arrecadação de ICMS variou de R$ 190,06 milhões em 2020 para R$ 214,83 milhões em 2024, após atingir um pico de R$ 225,15 milhões em 2022. Um dado relevante é o valor per capita do ICMS em Marília, que consiste em R$ 871,11 por habitante, refletindo a dinâmica econômica e o consumo da população local. 

A sustentabilidade das contas públicas de Marília para os próximos anos dependerá da capacidade da nova gestão em equilibrar o crescimento das despesas, que superou o das receitas no último ciclo político. Embora a arrecadação própria tenha apresentado evolução, o déficit registrado em 2024 acende um alerta sobre a necessidade de maior inteligência fiscal, especialidade da Aequus Consultoria. 

O anuário Multi Cidades deixa claro que, apesar de estar entre as 120 maiores economias municipais do país, o desafio de Marília é transformar seu bilionário orçamento em superávit operacional, acompanhando a maioria das cidades brasileiras que conseguiram fechar o ano com as contas no azul.

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