Moradores do bairro prolongamento Portal do Sol procuraram a redação do Jornal A Cidade para denunciar o estado de abandono das obras do Parque Vale dos Dinossauros, localizado em ponto estratégico às margens da Via Expressa. A reportagem esteve no local e constatou a veracidade das reclamações, identificando mato alto, acúmulo de sujeira e entulhos em um terreno situado entre as ruas Maria Ferreira Furlanetto, Guido Rosa e Augusto Genta.
O empreendimento, licitado sob o edital nº 005/2024, prevê a construção de uma praça com mirante e estrutura de apoio ocupando quase 4 mil metros quadrados de área. Orçada em mais de R$ 570 mil, a construção utiliza verbas destinadas ao fomento do turismo em Marília. A cidade detém o título de Município de Interesse Turístico (MIT) devido ao seu patrimônio paleontológico e ao fluxo de visitantes que buscam o Museu de Paleontologia.
A estrutura projetada visa aproveitar o desnível natural do terreno e a vista privilegiada para os itambés, mas o cenário atual é de estagnação. Durante a fiscalização no local, a reportagem não encontrou a placa informativa da obra, item de exibição obrigatória por Lei para garantir a transparência sobre prazos e aplicação de recursos públicos. No canteiro, ferros da construção civil estão expostos, embora apresentem proteção.
Placa em obras paralisadas aguarda veto
Veto sobre transparência em obras paralisadas tramita na Câmara. A situação do parque coincide com o debate legislativo sobre o Veto nº 4/2025, de autoria do Poder Executivo, que tramita na Câmara Municipal de Marília. O Executivo considera inconstitucional o Projeto de Lei 123/2025, aprovado em 17 de novembro de 2025, que obriga a prefeitura a instalar placas em obras paradas há mais de 60 dias detalhando os motivos da interrupção.
De acordo com os relatos colhidos junto aos moradores do Portal do Sol, a paralisação do Parque Vale dos Dinossauros já superaria o prazo de dois meses estipulado pelo projeto de lei. Enquanto o veto não é votado pelos vereadores, a obra segue sem sinalização oficial sobre o cronograma de retomada ou as razões técnicas que motivaram a atual condição de abandono relatada pela vizinhança.
Um cenário de estagnação
As imagens registradas pela reportagem confirmam o cenário de estagnação no canteiro de obras, onde o avanço da vegetação rasteira e do mato alto já encobre parte das estruturas de alvenaria e fundação. É possível observar paredes de concreto inacabadas cercadas por densa vegetação, além de vergalhões de ferro que, embora protegidos em suas extremidades, encontram-se expostos em meio à terra batida e ao entulho acumulado. O contraste entre a área de construção e a paisagem natural do vale evidencia a falta de manutenção recente no local, com a presença de materiais descartados e estruturas de madeira degradadas pela ação do tempo.