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Embora revogado em Marília, tombamento do Aeroclube de Marília ainda segue sob análise pelo conselho estadual Condephaat
Município reconheceu área como patrimônio cultural em ato de revogação, mas decisão final sobre preservação histórica depende de órgão do Estado
09/02/2026 11h17 Atualizada há 1 dia
Por: Redação
Hangares que compõem o pátio histórico: a área permanece sob monitoramento de preservação estadual

O Poder Executivo de Marília revogou, em 16 de dezembro de 2025, a Lei Municipal nº 9.233/2025, que determinava o tombamento do terminal aeroportuário, hangares, oficina e a sede do Aeroclube de Marília. Apesar da anulação da legislação vigente, a administração municipal reconheceu formalmente o local como patrimônio cultural da cidade no mesmo ato. A medida ocorre em meio a um cenário de incertezas sobre o futuro das estruturas históricas da aviação local.

A instância estadual, por meio do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), mantém a análise de um pedido formal de tombamento protocolado em 8 de setembro de 2025. O requerimento abrange todo o Conjunto Aeroportuário de Marília, incluindo o Terminal de Passageiros, a Oficina Marília de Aviação, o Aeroclube e seu acervo de aeronaves. A decisão do órgão paulista sobre a abertura ou não do estudo de preservação é aguardada como um fator determinante para o impasse.

O processo de tombamento adicionou complexidade à disputa entre o Aeroclube de Marília e a concessionária Rede VOA, que administra o aeroporto e planeja a modernização das estruturas. O Aeroclube, fundado em 1940, possui relevância histórica por ter formado mais de mil pilotos, incluindo o comandante Rolim Amaro, fundador da TAM. A instituição argumenta que a preservação do espaço é estratégica para o desenvolvimento do Aeroporto Frank Miloye Milenkovich.

Apenas 0,5% de toda áera concedida

A divergência central entre as partes envolve a área destinada às novas obras de infraestrutura. Segundo a diretoria do Aeroclube, a entidade ocupa apenas 0,5% da área total concedida à Rede VOA. Como alternativa à desocupação das estruturas históricas, o Aeroclube propôs a utilização de uma faixa de terra de 70 mil metros quadrados, localizada atrás dos hangares particulares, para a construção do novo terminal de passageiros da concessionária.

A manutenção da análise pelo Condephaat garante que o valor histórico do conjunto arquitetônico e aeronáutico seja avaliado sob critérios técnicos estaduais, independentemente das movimentações legislativas da Câmara ou da Prefeitura. O desfecho deste estudo poderá paralisar ou condicionar as intervenções pretendidas na área, caso o conselho identifique a necessidade de proteção integral dos bens citados no pedido original de setembro.

O reconhecimento do local como patrimônio cultural pelo município, mesmo após a revogação da lei de tombamento, sinaliza a importância simbólica da área para Marília, mas carece da força jurídica que o tombamento estadual pode oferecer. Enquanto o processo tramita nas instâncias do Estado, o setor aeroportuário local aguarda definições sobre o cronograma de expansão e a permanência das atividades de instrução de voo em suas bases históricas.

Confira a resposta oficial do Condephaat

“O pedido de tombamento do Conjunto Aeroportuário de Marília foi apresentado ao Condephaat e avaliado pelo Conselho em novembro de 2025. O Conselho decidiu que não era necessária uma análise imediata, e o processo seguirá sua avaliação normalmente, respeitando a ordem de recebimento dos pedidos. A Lei Municipal aprovada em setembro de 2025 e revogada em dezembro do mesmo ano não interfere nesse processo. As decisões do município não anulam, não suspendem e não impedem a análise do pedido de tombamento pelo Condephaat, que é independente”, informou o órgão estadual.