Cidades Trânsito
O mais perigoso de Marília: cruzamento da rua São Carlos segue provocando vítimas
Comerciantes intensificam cobranças à Emdurb e relatam acidentes em ponto que registra até 3 colisões semanais
01/02/2026 00h54
Por: Redação
Grave colisão ocorreu em 15 de janeiro entre um Yaris e um Prisma no cruzamento - Foto: Divulgação

O cruzamento das ruas São Carlos e Vinte e Quatro de Dezembro tornou-se um dos pontos mais perigosos para o trânsito de Marília. A frequência de acidentes no local deixou de ser uma impressão de vizinhos para se tornar uma realidade estatística, agravada por falhas na sinalização e uma engenharia viária que possivelmente vem confundindo os motoristas. Comerciantes e moradores da região já até formalizaram abaixo-assinado no último ano. O documento, entregue à presidência da Câmara Municipal, exigiu intervenções imediatas para interromper a sequência de colisões no trecho. Em resposta, não conquistaram um semáforo ou a mudança da mão da via: apenas novas sinalizações e a pintura de solo na própria rua São Carlos com a palavra: devagar. 

O cotidiano de quem trabalha nas imediações é marcado pelo som de frenagens e o impacto de metal contra metal, transformando o ambiente em um constante estado de alerta. A comerciante Taís Girotto, que há quatro anos atua em uma unidade de assistência técnica na exatamente na esquina, tornou-se uma testemunha involuntária de inúmeras tragédias e colisões. Segundo seu relato, a frequência de ocorrências é assustadora, atingindo picos de dois a três acidentes por semana em determinados períodos. Muitos destes acidentes foram registrados por ela em vídeos e fotos, justamente para servirem de prova sobre a urgência de intervenções na engenharia de tráfego daquele local. 

Abaixo-assinado chegou a ser entregue à Câmara Municipal detalhando a urgência de um semáforo

Dentre os episódios mais traumáticos vivenciados por Taís, destaca-se um capotamento severo que exigiu uma intervenção da comerciante antes da chegada das equipes de resgate. Na ocasião, um veículo conduzido por um pai de família capotou na esquina, deixando-o preso pelo cinto de segurança travado, enquanto seu filho de apenas 6 anos de idade chorava no banco de trás. Taís precisou quebrar o vidro traseiro para resgatar a criança, que sofreu fratura no braço, enquanto outros populares auxiliavam o motorista através do corte do cinto de segurança. 

A mobilização da comunidade local aponta para soluções que, na visão de quem observa o fluxo diariamente, poderiam mitigar drasticamente o risco de novas colisões e mortes. As reivindicações, enviadas sistematicamente à Prefeitura de Marília, à Câmara Municipal e à Emdurb (Empresa de Mobilidade Urbana de Marília), focam na instalação de um conjunto semafórico e na revisão da mão de circulação da rua São Carlos. Atualmente operando no sentido bairro-centro, a via acaba provocando uma travessia automática e descuidada por parte de muitos motoristas, que negligenciam a preferencial da Vinte e Quatro de Dezembro devido à fluidez enganosa do trecho. Esta negligência, muitas vezes, está associada à falta de visão de quem cruza a Vinte e Quatro. 

A modificação da mão de direção da rua São Carlos reduziria de forma significativa a probabilidade de choques. Só a sinalização vertical atual é insuficiente para frear os impactos. A entrega do último abaixo-assinado ao Legislativo visava justamente sensibilizar a Empresa de Mobilidade Urbana para que um estudo técnico saísse das gavetas e se transformasse em asfalto e sinalização ativa. 

Carro capotou na esquina e criança precisou ser retirada do banco de trás após
comerciante quebrar o vidro - Foto: Divulgação

Novo ano, novos acidentes 

A gravidade do problema é atualizada a cada novo mês, e as primeiras semanas de janeiro de 2026 já registraram ao menos dois acidentes de grandes proporções no local. Em 12 de janeiro, a colisão entre um Fiat Toro e um VW Voyage chamou a atenção pela violência do impacto, sendo sucedida, apenas três dias depois, por um choque entre um Toyota Yaris e um Chevrolet Prisma. Este último acidente, ocorrido no dia 15 de janeiro, resultou em vítimas feridas. Infelizmente, o histórico do cruzamento também é marcado por perdas graves, como a morte presenciada por Taís Girotto envolvendo um funcionário público. Na ocasião, a colisão entre uma motocicleta e um caminhão-guincho tirou a vida do servidor.