Pouco mais de um mês se passou desde que os cemitérios de Marília receberam um fluxo contínuo de visitantes no Dia de Finados, reacendendo o olhar da comunidade e da imprensa sobre os espaços dedicados ao último adeus. Foi nesse contexto que a reportagem do jornal A Cidade buscou a Prefeitura de Marília para questionar a capacidade operacional e os planos de expansão dos locais.
A resposta, emitida por meio da Emdurb (Empresa de Mobilidade Urbana), responsável pela administração dos cemitérios, traz clareza sobre o futuro da gestão da morte no município: há planos de expansão e reutilização para garantir que o Cemitério da Saudade e os distritais continuem a atender à população.
De fato, a morte é a única certeza inegociável da vida, e o que resta dela é o corpo: a matéria que, após a alma, retorna ao pó. Nessa esfera, o poeta paraibano Augusto dos Anjos, mestre na ode ao vil e ao tétrico, é imbatível. Em seu poema ‘As cismas do tempo’, escreve: “Tanto fosfato e cálcio e carbono/Pra dar à bicharia o seu quinhão,/De que o verme se nutre, o verme irmão/Desse morto dum século de sono!”.
O destino da matéria, o túmulo, é a “Casa do Agra” que o poeta menciona em outras partes de sua obra, um termo que carrega a força simbólica do jazigo e da terra do cemitério, em especial para quem conhece a poesia ligada ao contexto fúnebre do nordeste.
Em Marília, o palco central dessa transição é o Cemitério da Saudade. Inaugurado em 1929, o local, que acumula 100 mil sepultamentos e possui 24 mil sepulturas, atingiu sua maturidade operacional. Contudo, a Emdurb explicou que a pressão por novos espaços foi significativamente reduzida pela implantação de túmulos verticais. A operação hoje se concentra na reutilização de jazigos perpétuos, um processo autorizado e monitorado após exumação e adequações internas, sempre com o aval dos familiares.
Planejamento para o futuro
Apesar da estratégia de otimização no cemitério principal, o município reconhece a necessidade de ampliar a oferta. A Prefeitura de Marília confirmou que está em andamento um projeto de expansão para abrir uma área remanescente no Cemitério da Saudade, destinada à criação de novos túmulos.
A longo prazo, a Emdurb tem planos de expansão que preveem a ampliação das áreas de sepultamento vertical tanto no Cemitério da Saudade quanto no Distrito de Avencas. Este planejamento busca garantir a continuidade e segurança no atendimento à população, caso o cemitério central atinja a saturação definitiva.
Cemitério de Nóbrega não está sobrecarregado
Além do Cemitério da Saudade, a Emdurb também gerencia os cemitérios distritais, que incluem Avencas, Padre Nóbrega e Rosália. Em relação aos sepultamentos sociais, eles são distribuídos de forma estratégica entre os cemitérios de Avencas, Padre Nóbrega e Saudade. A Emdurb refutou a informação de que o Cemitério de Padre Nóbrega estaria sobrecarregado. De acordo com a empresa municipal, a demanda permanece equilibrada, mas é o Cemitério da Saudade que concentra cerca de 95% de todos os sepultamentos realizados no município.
Para aumentar a capacidade e garantir uma vida útil adequada para os próximos anos, o Cemitério de Padre Nóbrega, assim como os demais, está passando por um processo de redimensionamento. Por fim, a Emdurb lembrou que o contrato de concessão do Velório Municipal e dos serviços funerários, firmado em 2011, tem prazo de 20 anos e encerramento previsto para 2031.